Uma em cada três crianças em Portugal estão expostas ao fumo do tabaco, segundo dados divulgados esta quinta-feira pela Direção-Geral da Saúde, que vai lançar uma campanha de prevenção da exposição das crianças ao tabaco.

As mensagens-chaves da campanha revelam que mais de 80% do fumo ambiental do tabaco é invisível, que os químicos tóxicos do fumo permanecem no interior da casa ou do carro e que não há um limiar seguro de exposição ao fumo.

«Quando alguém fuma, todos fumam à sua volta», é um dos slogans da campanha, que custou cerca de 70 mil euros.

Para o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa, esta verba é pequena quando comparada com os mais de 500 milhões de euros gastos por ano com os fumadores no âmbito do Serviço Nacional de Saúde.

Com o grande objetivo de reduzir a exposição das crianças ao fumo ambiental do tabaco, a campanha vem alertar que fumar em casa, mesmo que não seja na presença dos menores, é igualmente prejudicial.

A diretora do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo lembrou que o fumo do tabaco fica impregnado nas roupas, no pó, nos objetos e nas superfícies da casa ou do carro.

Assim, mesmo quem fuma numa divisão sem crianças, e ainda que com janelas abertas, não deixa de contribuir para que os menores sejam expostos ao fumo ambiental do cigarro.

Aliás, um estudo internacional demonstrou que «a contaminação pelo fumo do tabaco em casas de fumadores que tentam proteger as crianças, não fumando no seu quarto ou na sua presença, foi cinco a sete vezes superior à observada nas casas de não fumadores».

Fumar nas viagens de carro é outro dos alvos da campanha, havendo evidência científica que demonstra que o carro fica igualmente poluído mesmo depois de o cigarro ter sido apagado ou quando é fumado com as janelas abertas.

Segundo um estudo realizado há cerca de três anos com crianças portuguesas a frequentar o 4.º ano, 28% dos menores eram expostas ao fumo do tabaco no carro familiar.

Durante a apresentação da campanha, que passará pelas rádios, imprensa e televisão, o secretário de Estado disse esperar que a nova lei do tabaco chegue ao parlamento, onde tem de ser aprovada, ainda durante esta legislatura.

A ideia central da nova lei é impedir os novos restaurantes e cafés de terem espaços para fumadores.

Os novos restaurantes ou cafés já deverão estar assim proibidos de criar espaços para fumadores enquanto os que já existem terão um de adaptação para eliminar as zonas de fumadores.

Este período de adaptação é justificado por Leal da Costa com o investimento que alguns estabelecimentos fizeram em equipamentos para cumprir a lei e poder ter zonas de fumadores.

Sobre a possibilidade de comparticipar os medicamentos para ajudar a deixar de fumar, o governante garantiu que a ideia não foi abandonada, mas frisou que esses fármacos são importantes no âmbito da adesão a um programa de desabituação tabágica.

Outra ideia ainda em análise é atribuir a um ex-fumador uma «recompensa tardia» por ter deixado de fumar, devolvendo posteriormente (o todo ou em parte) o que tiver a ser gasto nos medicamentos para deixar de fumar.