O Cardeal-Patriarca de Lisboa solidarizou-se esta quarta-feira com os familiares, vizinhos e amigos das vítimas dos incêndios numa missa realizada no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, e alertou para a necessidade cuidar do ambiente.

A cerimónia religiosa em memória das pessoas que morreram nos incêndios deste ano foi promovida pelo Movimento de Cidadania Mundial dos Direitos Humanos e contou com a presença do Presidente da República, da Procuradora-Geral da República, dos chefes dos três ramos das Forças Armadas, entre outras individualidades.

Os promotores desta cerimónia religiosa também pretenderam homenagear os bombeiros e restantes forças vocacionadas para combater os fogos.

Na homilia, o Cardeal-Patriarca de Lisboa disse “associar-se inteiramente e deste modo à memória e ao sufrágio das vítimas dos incêndios que tantas vidas atingiram e tantos danos causaram em junho e outubro do ano que agora finda”.

A todos, familiares, vizinhos e amigos, manifesto a minha solidariedade e companhia. Também a gratidão profunda a quantos - Bombeiros e Autarquias, Estado e Forças Armadas e de Segurança, organizações sociocaritativas e de solidariedade social, dioceses e paróquias - organizados ou por si mesmo, foram e continuam a ser junto de quem tanto sofreu e dos familiares das vítimas, a expressão mais clara e efetiva do que somos e queremos ser como sociedade altruísta”, referiu.

Manuel Clemente disse ainda que, “durante e depois dos trágicos incêndios, o mal foi grande e a dor foi muita. Mas não faltaram nem faltam gestos de grande generosidade e valentia, para acorrer, para salvar o possível, para prevenir e restaurar”.

Na homilia fez ainda referência à importância de cuidar do ambiente e da sociedade rural aludindo à encíclica “Laudato si” do papa Francisco para se referir à necessidade de uma ecologia integral “em que tomemos como essencial e prioritária a relação com o meio ambiente, de que somos parte - não exterior e muito menos estranha”.

Num país como o nosso, em que a grande maioria da população se foi concentrando no litoral, corremos o risco de nos esquecer da grandeza do território, despovoado e pouco ou mal cuidado. A antiga relação, que era imediata e vital, com a agricultura e a floresta, foi-se perdendo, e até a própria memória de propriedades e responsabilidades se foi esvanecendo em muitos casos”, adiantou.

Considera o Cardeal-Patriarca que, mais do que reconstruir edifícios, é importante agora que seja reedificada uma sociedade mais integrada, da cidade ao campo e do litoral ao interior, “reordenando o que for preciso reordenar, acompanhando quem temos de acompanhar, sanando o que mais urgir, tanto na saúde das pessoas como nas feridas que abrimos ou deixámos abrir no fundo, à superfície e na atmosfera da terra de nós todos”.

No final da cerimónia e em declarações aos jornalistas, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que estará dentro de dias em Pedrógão, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, assim como nos municípios afetados em outubro, considerando que a ideia no acompanhamento desta matéria tem sido de tratar de forma igual as duas tragédias, quer no que foi aprovado sobre indemnizações quer em termos de reconstrução.

Este ano, os incêndios florestais provocaram mais de 100 mortos, 66 dos quais em junho em Pedrógão Grande e 45 em outubro na região Centro, cerca de 350 feridos e milhões de euros de prejuízos.