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Cardeal patriarca aponta falta de ética na política

D. José Policarpo defende que leigos devem ser parte de novas formas de intervenção da Igreja na sociedade

Por: tvi24 / CP  |  16- 6- 2010  11: 24

D. José Policarpo

O cardeal patriarca de Lisboa lamentou, esta quarta-feira, a falta de ética «nas escolhas políticas», na sua intervenção nas jornadas pastorais da Conferência Episcopal Portuguesa, em Fátima, refere a Lusa.

«É impressionante verificar a pouca importância que a dimensão ética tem nas escolhas políticas», notou D. José Policarpo, defendendo que «a Igreja deve lutar» por que o voto seja «a escolha de uma consciência bem formada e esclarecida». «O que não significa [que a Igreja deva] imiscuir-se no estritamente político», ressalvou.

Mas o «diálogo» da Igreja com os «valores e desvios» da sociedade actual «não pode significar uma cedência», frisou, afirmando que deve estar sempre presente «a perspectiva evangélica, os próprios atropelos à verdade, à justiça à dignidade do Homem».

Por detrás de o que a Igreja considerar «um erro», podem abrir-se «portas a outras dimensões da verdade» e a voz dos leigos deve afirmar sempre o «empenho no progresso da humanidade», defendeu.

Aliás, é nos cristãos leigos que o cardeal patriarca vê «novas formas de intervenção» na sociedade, sabendo ler os «sinais dos tempos».

O cardeal diagnosticou uma «situação anacrónica» em que «qualquer intervenção da Igreja», em especial da sua hierarquia, «é facilmente julgada como intervenção na esfera do estritamente político».

A hierarquia, indica, «abstém-se habitualmente de se imiscuir no âmbito do estritamente político», mas os cristãos leigos «não são a isso obrigados».

Assim, como a Igreja é «o conjunto dos fiéis», José Policarpo defendeu que os cristãos leigos «devem ser porta-vozes, no seio da sociedade, dos autênticos valores cristãos», mas não se devem limitar a «denunciar» aquilo que vêem como «desvios».

«Podemos cair, facilmente demais, na atitude de condenação da sociedade actual. Mas é possível amar o mundo sem concordar com o mundo», sugeriu.

Se o «anúncio» da doutrina cristã começa por ser «denúncia, corre o risco de nunca ser anúncio», disse, acrescentando que, se se limitar a denunciar, a voz dos católicos pode «ser facilmente interpretada como mera tomada de posição política e ser vítima de fundamentalismos».
«Pressinto que virá dos leigos a energia para esta renovação da intervenção da Igreja na sociedade», afirmou o cardeal, lembrando a declaração do Papa Bento XVI, quando esteve em Portugal em Maio, sobre a necessidade de «um laicado maduro».

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