Depois de muitas voltas, a Casa de Serralves abre, esta sexta-feira, a exposição “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”, que mostra quase 80 trabalhos de um dos maiores artistas do século XX.

Durante a visita para a imprensa da exposição que, pela primeira vez, apresenta as obras do pintor catalão que pertenciam ao antigo Banco Português de Negócios (BPN), a diretora do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Suzanne Cotter, afirmou que a exposição “significa imenso em diferentes níveis de herança artística e em termos do lugar da arte na sociedade”, mas que para além da discussão política e pública em torno dela, “é apenas uma exposição”.

“Por apenas uma exposição quero dizer que é uma mostra que espero que vos possamos encorajar a vocês, a todos os vossos leitores e espectadores a visitar e apreciar o brilhantismo” de Miró, declarou Cotter.

A diretora artística do museu realçou à Lusa ser “imensamente relevante” para Serralves acolher a estreia ao público desta coleção, que significa “tanto para o povo português”.

Comissariada por Robert Lubar Messeri, com projeto de Álvaro Siza Vieira, a exposição reúne a quase totalidade das obras da coleção de Miró na posse do Estado provenientes do BPN e percorre o rés-do-chão e o primeiro andar da Casa de Serralves até dia 28 de janeiro, estando ainda por definir o local onde a coleção vai estar a partir desse momento, sabendo-se apenas que será no Porto.

Entretanto, a Câmara Municipal do Porto anunciou que vai ter lugar, às 20:30, uma conferência de imprensa por parte do presidente da autarquia, Rui Moreira, com a presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves, Ana Pinho, sobre a coleção Miró, momentos depois da inauguração, que vai contar com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro, António Costa, e do presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy.

O arquiteto Siza Vieira lembrou à Lusa que já tinha preparado o espaço para uma exposição fotográfica antes, mas com os mesmos problemas: “Não se podem pendurar quadros nas paredes, não se podem ter projetores no teto. Era como resolver a luz e como expor os quadros. E isso fiz, tal como noutra exposição, com a intenção de que se sentisse o espaço, a casa, que é uma casa maravilhosa e que tem muita qualidade para organizar uma exposição”.

“Casa boa, luz boa, obra maravilhosa, não se pode querer melhor”, sintetizou Siza.

Da parte do mecenas, a Fundação La Caixa, Ignacio Miró (sem relação com o artista) disse à Lusa que a presença da instituição como mecenas é feita “mais por via da Fundação de Serralves do que pelas obras de Joan Miró", mas reconheceu tratar-se de "uma magnífica coincidência”.

Questionado sobre se a fundação pode vir a apoiar uma eventual interação entre os vários polos daquilo que Robert Lubar disse à Lusa em julho tratar-se de um “triângulo cultural na Península Ibérica” entre Porto, Barcelona e Palma de Maiorca, Ignacio Miró explicou que o tempo o dirá, mas saudou que a coleção do antigo BPN regresse agora “ao circuito de obras de Miró disponíveis para projetos de âmbito internacional”.

A coleção em causa, proveniente do antigo Banco Português de Negócios (BPN), “inclui um total de 85 obras de Miró, do ano de 1924 até 1981”, nas quais se encontram “desenhos e outras obras sobre papel, pinturas (com suportes distintos)”, além de seis tapeçarias de 1973, uma escultura, colagens, uma obra da série “Telas queimadas” e várias pinturas murais, recorda a Lusa.