O secretário de Estado da Cultura justificou esta quinta-feira a escolha de Paolo Pinamonti para consultor artístico do Teatro Nacional de S. Carlos (TNSC) por este programador ter já trabalhado neste teatro e pela sua rede internacional de contactos.

O titular da Cultura falava durante a conferência de imprensa de apresentação da programação até junho do TNSC, quinze dias após da tomada de posse do novo conselho de administração do Organismo de Produção Artística (OPART) que tutela o TNSC.

O historiador de arte José António Falcão, e ex-diretor do Festival Terras Sem Sombra, assume a presidência do Conselho de Administração, sendo vogais o pianista Adriano Jordão, ex-adido cultural de Portugal em Brasília, e João Pedro Consolado, cujo currículo profissional está ligado à atividade de consultoria em gestão orçamental e direção financeira.

O governante deixou claro que não é intenção do Governo a nomeação de um diretor artístico para o TNSC e, dadas as «limitações financeiras» atuais, a opção foi pela figura de um consultor artístico.

A escolha de Paolo Pinamonti, que esteve à frente do TNSC de 2001 a 2007, teve em conta «o contexto de limitação e restrição [financeira] que vivemos», o «seu conhecimento da organização e o seu historial» com o TNSC e «a rede de contactos internacional que tem», justificou Barreto Xavier.

O secretário de Estado referiu também, para esta escolha, «a particular relação de trabalho» que mantém com o seu homólogo espanhol, José Maria Lassalle.

O governante português perspetivou colaborações futuras e deu como exemplo a mostra de telas do Museu do Prado, atualmente patente no Museu Nacional de Arte Antiga.

Paolo Pinamonti esteve à frente do S. Carlos como diretor artístico entre 2001 e 2007 e atualmente dirige o Teatro da Zarzuela, em Madrid, o que permite «a possibilidade de articulação», disse o secretário de Estado, que deu como exemplo a produção que estreia sexta-feira no S. Carlos.

Trata-se da ópera «El gato montés», de Manuel Penella, uma produção do Teatro da Zarzuela de 2012, com, entre outros, Saioa Hernández, Marifé Nogales, Milagros Marrtín e Ángel Ódena, numa encenação de José Carlos Plaza e coreografia de Cristina Hoyos, sendo a direção musical de Cristobal Soler.

Esta produção ganhou o Prémio lírico Campoamor de Oviedo para a Melhor Produção de Ópera Lírica espanhola e Zarzuela.