Um estudo realizado pelo Projeto Cuidar Melhor, hoje divulgado, revelou que a maior parte dos responsáveis pelos equipamentos sociais para idosos não têm conhecimentos suficientes para lidar com pacientes com demência.

O estudo foi realizado em 109 equipamentos sociais nos concelhos de Cascais, Oeiras e Sintra pelo Projeto Cuidar Melhor, que tem como objetivo contribuir para a inclusão e promoção dos direitos das pessoas com demência e dar apoio às famílias e profissionais que lhes prestam cuidados.

“Entre 75% e 95% dos responsáveis dos equipamentos referem conhecimento insuficiente acerca da doença ou ausência de competências específicas para lidar com os seus sintomas”, refere o Projeto Cuidar Melhor, num comunicado enviado à agência Lusa.


O estudo demonstrou também que metade dos utentes das Estruturas Residenciais para Idosos “sofrem ou suspeita-se que sofram de demência”.

“Se considerarmos o total dos equipamentos sociais, onde se incluem ERPI, Centros de Dia e Serviços de Apoio Domiciliário, há 36% de utentes com demência diagnosticada ou com suspeita da doença”, refere o documento, salientando que, do total estimado de pessoas com demência, apenas 28% estão identificadas nos Cuidados de Saúde Primários.


“O que evidenciai a necessidade de tornar o diagnóstico precoce uma prioridade no nosso país”, sublinha o estudo.

“A criação de um Plano Nacional para as Demências há muito proclamado como uma urgência é uma necessidade sentida por quem se preocupa com a problemática das demências e que carece de concretização urgente, assim haja vontade política”, alerta a Alzheimer Portugal, que integra o Projeto Cuidar Melhor.


A investigação concluiu também que 76% das pessoas identificadas ou suspeita de demência são mulheres, sendo que cerca de dois terços dos doentes ou suspeitos têm 80 ou mais anos.

Para a psicóloga Isabel Sousa, membro da equipa do Projeto Cuidar Melhor, o estudo não revela grandes alterações em relação a anteriores investigações, o que demonstra que, “infelizmente, os progressos no âmbito da intervenção têm sido poucos e de implementação morosa”.

“Urge melhorar e acelerar este processo”, afirma a psicóloga.

O Projeto Cuidar Melhor é uma iniciativa conjunta da Associação Alzheimer Portugal, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Montepio e Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica e dos municípios de Cascais, Oeiras e Sintra, locais onde funcionam os gabinetes de apoio.

Segundo dados da Alzheimer Europe, em Portugal existem cerca de 182 mil pessoas com demência, das quais cerca de 130 mil com doença de Alzheimer, o que representa 1,71% da população portuguesa.