O Grupo IKEA doou 3,5 milhões de doses de almôndegas à Federação Europeia dos Bancos Alimentares (FEBA), sendo metade da oferta destinada ao Banco Alimentar Contra a Fome, que distribuirá os alimentos pelos 16 centros de Portugal.

A comercialização das doses de almôndegas foi suspensa em março desde ano nas superfícies do Grupo IKEA, depois de terem sido encontrados «vestígios de carne de cavalo em apenas três lotes», como se refere em comunicado.

«A partir desse momento, todas as almôndegas com data de produção anterior à suspensão das vendas foram armazenadas em arcas frigoríficas, em centros preparados para o efeito, na Europa. O Grupo IKEA tem estado, desde então, a avaliar o melhor destino para estes milhões de refeições, sempre procurando encontrar a solução mais sustentável e que evitasse o desperdício alimentar», acrescenta-se.

O Grupo IKEA considera que os alimentos ofertados «são de qualidade, absolutamente seguros e saudáveis e estão em perfeitas condições para consumo».

«A génese do Banco Alimentar Contra a Fome assenta nos princípios da dádiva e da partilha, na gratuidade das contribuições, na luta contra o desperdício de produtos alimentares e na sua repartição pelas pessoas mais necessitadas. A doação do Grupo IKEA à FEBA insere-se, sem qualquer dúvida, nos princípios orientadores da nossa missão», considera a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, Isabel Jonet.

A FEBA é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que se dedica a combater a fome e o desperdício alimentar na Europa.

A oferta deste lote de doses de almôndegas sucede à decisão do Ministério Público, tomada na semana passada, em entregar a instituições de solidariedade social os produtos apreendidos em fevereiro pela ASAE com carne de cavalo que não apresentam riscos para a saúde.

Os produtos foram apreendidos no âmbito de sete dos 14 inquéritos instaurados por suspeita de presença de proteína de cavalo em produtos de carne bovina expostos para venda.

O MP arquivou sete dos 14 inquéritos abertos após ter sido detetada proteína de cavalo em amostras de produtos de carne bovina vendida ao público.

Os processos-crimes foram abertos pelo MP na sequência de deteção, em fevereiro, da presença de carne de cavalo em lasanhas, canelones, hambúrgueres e almôndegas em 13 amostras de produtos alimentares comercializados em vários estabelecimentos.