A criminalidade baixou no ano passado, em relação ao ano anterior. As autoridades policiais contabilizaram 351.311 crimes em 2014, isto é, menos 6,7% do que em 2013. Só as ações contra o património representaram mais de metade das ofensas, segundo estatísticas do Ministério da Justiça.

«Em 2014, o número de crimes registados pela Polícia Judiciária, Polícia de Segurança Pública e Guarda Nacional Republicanas foi de 343.768. Para além dos três órgãos de polícia criminal atrás referidos, foram ainda registados 7.543 crimes pelas restantes autoridades policiais. No total de 351.311 crimes registados, destacaram-se os crimes contra o património que representaram 54,7% do total (192.135 crimes)»


A segunda maior percentagem pertence aos crimes contra as pessoas, com 23,7% do total, ou seja, 83.207 crimes registados.

Na comparação com 2013, o total do número de crimes baixou dos 376.336 para os 351.311, o que equivale a uma redução percentual de 6,7%. Já em 2013 o total de crimes registados representava uma diminuição de 28.477 atos criminosos em comparação com 2012.

Os crimes contra o Estado representaram 1,7% dos atos registados em 2014.

Os crimes de furto em veículo motorizado (27.894), as ofensas à integridade física voluntária simples (24.327), a violência doméstica contra cônjuges ou análogos (22.965), a condução de veículo com taxa de álcool igual ou superior a 1,2g/litro (20.752), e o furto em residência com arrombamento, escalamento ou chaves falsas (19.312) são as cinco categorias com mais crimes registados.

O furto de metais não preciosos (8.451) e condução sem habilitação legal (9.767) estão entre os crimes com menos registos no ano passado.

As estatísticas relativas a 2014 têm por base o total de crimes registados pela Polícia Judiciária, Polícia de Segurança Pública, Guarda Nacional Republicana, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, Direções Distritais de Finanças, Direção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo, Polícia Marítima, Polícia Judiciária Militar e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.

Menos crimes graves e violentos

O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que foi apresentado esta segunda-feira em Lisboa, revela que a criminalidade violenta e grave desceu 5,4 por cento, em 2014. Houve 19.061 crimes deste género, menos 1.086 do que no ano anterior.

Este tipo de criminalidade teve, no entanto, um aumento «residual» nos distritos de Braga, Bragança, Portalegre, Porto, Viana do Castelo e Vila Real.

O documento foi apresentado em conferência de imprensa pela secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda.

Violência doméstica aumenta

Por outro lado, a violência doméstica, o furto por oportunidade e o furto por carteirista foram os crimes que mais subiram em 2014.

Segundo Helena Fazenda, a violência doméstica registou 22.959 participações, o que representa uma subida de 0,1 por cento.

O furto por carteirista aumentou 36 por cento e o furto por oportunidade (alguém deixar um objeto esquecido em algum lugar, por exemplo) aumentou 9,2 por cento.

Na delinquência juvenil, registaram-se mais 453 casos, num universo de 2.393 situações, e a criminalidade informática também subiu, embora segundo Helena Fazenda não de forma significativa.

Os números também «não são preocupantes» no caso do terrorismo, disse.

Em termos gerais, afiançou Helena Fazenda, os portugueses não têm razões para aumentar o sentimento de insegurança, visto que a criminalidade geral e a criminalidade violenta têm vindo a descer.

O relatório completo será apresentado na terça-feira.