A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) considerou esta sexta-feira que o Relatório Anual de Segurança Interna de 2015 “carece de rigor” ao apresentar “números tão positivos”, defendendo que o documento devia “espelhar a realidade sentida no terreno” pelas polícias.

O RASI (Relatório Anual de Segurança Interna) deveria ser o instrumento fundamental de combate à criminalidade, na medida em que deveria espelhar a realidade sentida no terreno pelos agentes da segurança pública, no sentido de serem encontradas estratégias que confiram um maior sentimento de segurança às populações e que aproximem a criminalidade participada daquela que de facto ocorre”, refere a APG, em comunicado.

Um dia depois de terem sido conhecidos os números do RASI, a APG adianta que o documento “carece de rigor” e foi “sem surpresa que tomou conhecimento de que, pela primeira vez desde 2008, há um registo de aumento da criminalidade participada”.

No entanto, considera “não entender” que este aumento da criminalidade participada seja atribuído “a alterações na tipificação da criminalidade”.

Parece ser um contrassenso que, quando nos últimos anos o investimento nas forças de segurança tem sido praticamente nulo, quer no que toca a meios e equipamentos, quer no que respeita a efetivo que, ainda assim, sejam apresentados números tão positivos, dando a ideia errada de que se pode fazer mais com menos, o que não é verdade”, sublinha a associação mais representativa da GNR.

A APG destaca ainda que três elementos das forças de segurança tenham morrido e 616 tenham ficado feridos em serviço em 2015 para defender que a profissão deve ser considerada de risco.

A criminalidade geral participada às forças de segurança subiu em 2015 pela primeira vez em sete anos, com um total de 356.032 queixas, mais 1,3 por cento do que em 2014, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna.

Já a criminalidade violenta e grave registou um decréscimo de 0,6 por cento no ano passado, tendo as forças de segurança registado um total de 18.964 participações, mais 124 ilícitos do que em 2014.

Os crimes mais registados pelas forças de segurança em 2015 foram os de incêndio/fogo posto em floresta, mata, arvoredo ou seara, que sofreram um aumento de 106,2%, burla informática e nas comunicações (mais 73,7%), contrafação, falsificação de moeda e passagem de moeda falsa (mais 34%), extorsão (mais 45,6%), roubo por esticão (mais 1,6%) e roubo a farmácia (mais 67,9%).