Pai e filho apresentaram versões diferentes, em tribunal, sobre crimes de burlas superiores a 150 mil euros: o pai negou esta quarta-feira, em tribunal, ter recorrido à identidade do filho e forjado os seus documentos para cometer os crimes, incriminando o filho, ao dizer que foi ele que assinou os documentos dos contratos. Este, por seu lado, negou liminarmente.

Ao coletivo de juízes, durante a primeira sessão do julgamento que começou hoje no Tribunal Central de Lisboa, no Campus da Justiça, o filho afirmou que nunca celebrou tais contratos, desconhecendo que tinha em seu nome vários carros, seguros de automóveis, créditos pessoais ou cartões de crédito.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, que é citado pela Lusa, o arguido terá executado, entre 2005 e 2008, um plano que passou pela utilização ilícita de cópias do bilhete de identidade e do cartão de contribuinte do filho, para abrir contas bancárias, solicitar e usar cartões de crédito, celebrar contratos de crédito para empréstimos pessoais ou aquisição de veículos, contratar seguros e registar veículos e vender esses veículos.

«Nenhum desses contratos foi por mim celebrado. Nunca soube que os veículos e os seguros estavam em meu nome. Nunca pedi nenhum cartão de crédito nem empréstimos pessoais», respondeu o jovem, atualmente com 28 anos, ao coletivo de juízes. O ofendido, que é também assistente no processo, salientou que as assinaturas que constam nos documentos como sendo suas, não são.

O pai do jovem, investigador de sinistros e hoje com 63 anos, assumiu que os contratos foram celebrados em nome do filho, mas frisou que «todos os papéis foram assinados» pelo próprio que, segundo o arguido, também o acompanhou aos bancos para abrir as contas bancárias.

O também assistente no processo referiu que tem, atualmente, um sexto do ordenado penhorado pelas Finanças devido a todas estas situações.

Numa das viaturas do arguido foi encontrado um cartão falsificado de deputado da Assembleia da República. «Foi uma brincadeira de um colaborador meu. Tive uma namorada que foi deputada na Assembleia da República, mas nunca usei esse cartão», justificou ao tribunal.

O homem responde por cinco crimes de burla qualificada, 18 crimes de falsificação de documentos autênticos e 12 crimes de falsificação de documentos particulares. A acusação refere que, depois de em 2006 ter aberto uma conta bancária, o homem terá gasto nos dois anos seguintes mais de 12.000 euros, com um cartão de crédito.

Entre outras burlas, o suspeito terá ainda contraído um empréstimo de 25.000 euros junto de uma empresa financeira para comprar um carro e solicitado um crédito pessoal de quase 14.000 euros, numa agência da zona da Expo, em Lisboa.

O MP sublinha que todas as operações e negócios de compra de viaturas de alta cilindrada foram realizadas em nome do próprio filho, tendo o arguido pago apenas as primeiras prestações, lesando os envolvidos em milhares de euros.