O julgamento de um ex-inspetor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras por crimes de abuso sexual de crianças, pornografia de menores e devassa da vida privada, num processo que envolve uma funcionária desta força policial, começa esta terça-feira em Leiria.

Ao ex-inspetor na delegação de Leiria do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que chegou a chefiar, o Ministério Público (MP) imputa dois crimes de abuso sexual de crianças, nove crimes de pornografia de menores e 19 crimes de devassa da vida privada, 17 dos quais alegadamente cometidos em coautoria com a funcionária.

No despacho de acusação lê-se que o arguido, demitido na sequência de um processo disciplinar, foi treinador adjunto de uma equipa feminina sub-14, tendo aí conhecido uma menor, que transportava de e para os treinos juntamente com as restantes atletas, na viatura do clube.

Por causa da modalidade, o então inspetor, de 46 anos, obteve o número de telemóvel da atleta e, «quer por ‘sms’, quer por ‘e-mail», começou a trocar mensagens para «criar uma maior aproximação com esta, de modo a cativá-la e aliciá-la a manter conversações consigo ou troca de ficheiros de imagens, de índole sexual».

Além de outras situações, o documento relata que o arguido, na posse do qual a Polícia Judiciária de Leiria encontrou imagens e vídeos, sobretudo de menores em poses pornográficas e em práticas sexuais, abordava ainda com a atleta «assuntos de cariz sexual» e pediu-lhe que enviasse fotografias suas (em biquíni e nua), o que esta fez.

O MP adianta que em julho de 2012 o arguido acompanhou a equipa feminina sub-19 do mesmo clube num campo de férias, tendo colocado nos balneários do pavilhão uma câmara de vídeo «para obter imagens dos corpos das jovens, mulheres e crianças desnudadas», o que conseguiu, para «satisfazer a sua lascívia e intentos libidinosos». Nesse verão, o ex-polícia filmou igualmente outras crianças, em biquíni ou nuas.

Segundo o MP, antes, em 2011, o então inspetor solicitou a uma funcionária do SEF, de 38 anos, com quem terá tido um relacionamento, que «captasse imagens de mulheres e crianças no balneário da piscina municipal de Vieira de Leiria», o que a arguida fez, colocando a câmara de vídeo (do tamanho e formato de um comando de garagem), entregue por aquele, no seu porta-chaves.