O Ministério Público (MP) acusou o suspeito de matar Alexandra Neno, em Loures, e Diogo Ferreira, em Oeiras, em 2008, de três crimes de homicídio, informa esta quarta-feira a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

A PGDL acrescenta, numa nota publicada na página da internet, que o homem, além de estar acusado da morte das duas vítimas, vai também responder por um crime de homicídio tentado, por disparar um tiro, na zona das Amoreiras, em Lisboa, na madrugada de 01 de março, dia em que terá matado Diogo Ferreira.

O arguido entregou-se voluntariamente às autoridades em novembro último para confessar os crimes, estando em prisão preventiva desde esse mês. É suspeito de matar Alexandra Neno no estacionamento junto ao condomínio onde vivia, na urbanização Real Forte, em Sacavém, concelho de Loures, no dia 29 de fevereiro de 2008. Será também o presumível autor da morte de Diogo Ferreira, no parque de estacionamento de um centro comercial de Oeiras, a 01 de março, do mesmo ano.

O suspeito, além de estar acusado de três homicídios qualificados, um na forma tentada, o MP imputou-lhe ainda um crime de roubo e outro de furto, ambos tentados, e um crime de detenção de arma proibida. O MP deduziu acusação contra o homem, exatamente pelos mesmos crimes que estava «fortemente indiciado», após o primeiro interrogatório judicial, que decorreu no Tribunal de Loures, a 22 de novembro último.

Fonte judicial disse à agência Lusa que o arguido se encontra preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Lisboa há cerca de dois meses, depois de ter estado detido na prisão/hospital de Caxias.

Fonte ligada ao processo adiantou esta quarta-feira à Lusa que o companheiro de Alexandra Neno se constituiu assistente no processo. A mesma fonte frisou que a mãe da vítima também requereu a constituição como assistente, mas o tribunal recusou, justificando a decisão com o facto de o companheiro da vítima já se ter constituído como assistente.

Paulo Jorge Figueiredo Almeida entregou-se voluntariamente, em novembro, à Polícia de Segurança Pública para confessar os dois crimes, tendo levado consigo a suposta arma, de calibre 6.35 milímetros de alarme transformada em arma de fogo, por si utilizada na prática dos mesmos.

Em conferência de imprensa, realizada na ocasião, Paulo Rebelo, da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da Polícia Judiciária (PJ), explicou que o alegado homicida, que não tinha antecedentes criminais, contactou o 112 para confessar os homicídios.

O responsável da PJ sublinhou, na mesma altura, que «só o próprio saberia explicar a motivação» para o assassínio de Alexandra Neno, a 29 de fevereiro de 2008, quando estacionava o carro no seu bairro de residência, e o de Diogo Ferreira, supostamente atingido mortalmente pelo mesmo homem, no dia seguinte, no parque de estacionamento de um centro comercial de Oeiras.

Paulo Rebelo esclareceu que a autoria dos homicídios foi comprovada com as impressões digitais encontradas na altura, nos locais dos crimes.

Aquele elemento da PJ acrescentou ainda que, no caso do homicídio de Alexandra Neno, o homem terá tentado «a apropriação da viatura da vítima» e, «face à sua resistência, o autor disparou e acabou por a atingir».