O Ministério Público (MP) de Leiria acusou uma professora dos crimes de falsificação de documento e burla qualificada, no valor de 2,1 milhões de euros, de que foi vítima, em 2008, o grupo empresarial Beatriz Godinho.

Aquela verba destinava-se à aquisição de uma farmácia, à construção de um laboratório e à participação num projecto de construção de uma clínica/hospital na República Dominicana, investimentos que nunca se concretizaram.

No despacho de acusação, a que a agência Lusa teve acesso, lê-se que a professora, de 38 anos, juntamente com o ex-marido, de quem tem três filhos menores, «actuaram em comunhão de esforços, levando à prática de um plano que previamente haviam gizado, visando apoderar-se de valores que seriam entregues por elementos ligados» ao grupo Beatriz Godinho, neste caso um sócio e um gestor.

De acordo com o MP, a suspeita e o ex-marido, detido sexta-feira no Brasil, para onde tinha fugido e que deverá ser julgado separadamente, «terão estabelecido conhecimento e contacto mais efectivo com algumas pessoas ligadas à actividade do grupo Beatriz Godinho», que trabalha na área da saúde.

O procurador-adjunto refere que o casal obteve «ganhos avultados com as suas condutas, recebendo, em cerca de dois meses, o valor de 2,1 milhões de euros, tendo entrado na disponibilidade efectiva 1,3 milhões de euros».

De acordo com o despacho, o dinheiro foi usado pelo casal para aplicações financeiras, despesas pessoais, aquisição de viaturas, pagamento de empréstimo, sinalização de aquisição de uma moradia e pagamento de viagens.