Uma mulher de 62 anos acusada de ter disparado sobre um homem, seu inquilino, confessou esta quarta-feira o crime, no Tribunal de Aveiro, mas disse que “só o quis assustar”, por aquele se ter recusado a abandonar a residência.

Não lhe quis fazer mal nenhum. Não sei o que me passou pela cabeça para ter disparado a arma”, afirmou a mulher, na primeira sessão do julgamento.

Os factos ocorreram no dia 17 de novembro de 2017, numa casa em Verdemilho, Aveiro, que a arguida e o companheiro, teriam alugado ao ofendido no mês anterior.

A mulher negou, contudo, que a casa estivesse arrendada, adiantando que apenas foi dada autorização ao ofendido para “guardar lá as suas coisas”, mas aquele “apoderou-se das chaves e meteu-se lá dentro”.

“Pedi-lhe que se fosse embora, que abandonasse a casa e que nos deixasse em paz”, disse a arguida, afirmando que estava “saturada da presença” do ofendido, que, segundo a mesma, “queria viver à custa dos outros”.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), na origem do conflito entre o casal e o ofendido estão divergências relacionadas com a data para o pagamento da renda mensal.

A arguida reclamava que o pagamento fosse feito até ao dia 14 de cada mês, enquanto o ofendido afirmava que o combinado tinha sido que o pagamento seria até ao dia 20 de cada mês.

No dia 17 de novembro, pelas 20:00, a arguida e o companheiro confrontaram o ofendido no exterior da casa, exigindo-lhe que pagasse a renda e que saísse de imediato da casa, tendo o mesmo retorquido que não pagava, pois só o faria no dia combinado.

De imediato, a arguida foi a casa e regressou com uma caçadeira, colocou dois cartuchos e efetuou um disparo na direção do ofendido, que, entretanto, fechou a porta da cozinha.

O tiro atravessou a porta de madeira e atingiu o ofendido em várias zonas do corpo, nomeadamente nas mãos, perna direita face e pescoço. A vítima saiu de casa a pé e procurou auxílio na casa de um vizinho que chamou o Instituto Nacional de Emergência Médica para o transportar ao Hospital de Aveiro.

Após ter disparado o tiro, a arguida escondeu a arma nuns anexos e ocultou o cartucho deflagrado, tendo-se refugiado em casa, onde veio a ser detida pela PSP.

A mulher, que se encontra em prisão preventiva, está acusada de um crime de coação grave e outro de homicídio qualificado agravado, ambos na forma tentada.