O Tribunal São João Novo, no Porto, começou hoje a julgar dois arguidos, mãe e filho, acusados de burlar idosos entre 2013 e 2014, que recusaram prestar declarações sobre os factos.

A mulher, de 48 anos, está presa no Estabelecimento Prisional de Tires, no distrito de Lisboa, à margem de outro processo, enquanto o filho, de 27, está em liberdade.

O processo envolvia um terceiro suspeito, de 56 anos, que foi declarado contumaz (está em local desconhecido) tendo, por esse motivo, sido separado deste.

Os suspeitos estão acusados pelos crimes de furto qualificado, burla qualificada e violência após uma subtração.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), entre 2013 e 2014, os arguidos burlaram idosos, na sua maioria fragilizados, no distrito do Porto, levando-lhes centenas de milhares de euros em ouro.

Os arguidos, que atuavam em dupla ou isoladamente, recolhiam informações sobre as vítimas e, depois, abordavam-as em casa dizendo-lhes que eram seus familiares, fazendo com que estas as deixasse entrar, salienta.

Os dados eram tão precisos, desde saberem nome de familiares, local de residência ou problemas de saúde, que as vítimas acreditavam neles.

No interior da habitação, os alegados burlões perguntavam-lhe por ouro com o pretexto de terem uma fórmula para atestar se as peças eram verdadeiras ou falsas, que passava pela sua colocação em recipientes com vinagre e casca de cebola.

Obtendo a sua confiança, diziam que as peças deviam ficar dois dias num armário e ao escuro, não podendo ninguém mexer nelas, e que após esses dias passavam para ver o resultado, mas acabavam por fugir com o ouro, sustenta a acusação.

Outra das táticas era usaram alguma distração, como por exemplo pedir para ir à casa de banho ou para lhes fazerem um café e, enquanto as vítimas estavam distraídas, um dos arguidos procurava e roubava as peças.

Uma das vítimas contou ao coletivo de juízes que a mulher, aquando do furto, foi a casa dela e fez-se passar por uma prima, filha de um primo seu, dizendo-lhe que lhe trazia uma encomenda dele, a residir na África do Sul.

“Abraçou-me muito, depois pediu-me para fazer um café, enquanto o homem que estava com ela me roubou o ouro todo, fiquei sem nada”, contou.

Outra das testemunhas relatou que fazendo passar-se igualmente por prima, a mulher lhe pediu as peças em ouro para atestar se verem verdadeiras, assim como um recipiente com vinagre.

Tendo, depois com elas na sua posse, fugido, relatou, falando num prejuízo de cinco a seis mil euros.