O Tribunal de Alcácer do Sal condenou hoje a 14 anos de prisão o jovem acusado do homicídio do antigo cabo do Grupo de Forcados Amadores de Montemor-o-Novo, José Maria Cortes, em 2013, numa feira na cidade.

Fonte judicial adiantou à agência Lusa que o coletivo de juízes condenou o jovem a 13 anos de prisão pelo crime de homicídio simples e a dois anos e meio pelo crime de ofensa à integridade física.

Em cúmulo jurídico, segundo o acórdão lido hoje à tarde, o tribunal aplicou ao arguido de 20 anos uma pena única de 14 anos de prisão efetiva.

O caso ocorreu, na madrugada do dia 23 de junho de 2013, quando o jovem terá provocado a morte do então forcado José Maria Cortes, de 29 anos, com uma arma branca, na sequência de uma desordem na Feira do Turismo e das Atividades Económicas (Pimel), em Alcácer do Sal.

Contactado pela Lusa, o advogado de defesa, José Rocha Quintal, adiantou que vai recorrer da decisão, alegando que existe «um conjunto de contradições» no acórdão do coletivo de juízes.

«Os depoimentos mencionados são eles próprios contraditórios e há um esforço em tentar desvalorizar os depoimentos das testemunhas de defesa», disse o causídico.

Por outro lado, referiu que o arguido «nem do Regime Jovem acaba por beneficiar», porque o coletivo de juízes traça «a personalidade do arguido em dois minutos» e quando ele demonstra «alguma revolta pelo que lhe está a acontecer».

O arguido está em prisão preventiva desde o início de julho de 2013, altura em que foi decretada a medida de coação mais gravosa, após ter sido detido pela Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal.

Do incidente, ocorrido na madrugada de 23 de junho de 2013 e que envolveu cerca de 60 pessoas, resultaram 10 feridos, dois deles graves, entre os quais o então forcado José Maria Cortes.

O forcado foi transportado para o Hospital do Litoral Alentejano, em Santiago do Cacém, onde foi operado para «suturar a ferida cardíaca».

No dia seguinte, «por uma questão de prevenção de complicações», a vítima foi transferida para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, mas acabaria por morrer, a 27 de junho, depois de ter entrado em coma.

De acordo com as investigações da PJ de Setúbal, o forcado foi atingido «com vários golpes de arma branca, os quais, atenta a sua gravidade, extensão e localização, vieram a provocar a sua morte».

Suspeito do homicídio de forcado fica em prisão preventiva