O Tribunal Judicial de Braga condenou hoje a internamento em estabelecimento de segurança de tratamento psiquiátrico, por um período mínimo de três anos, o homem que matou a tiro um amigo em Perelhal, Barcelos, em abril de 2015.

Segundo o acórdão, o internamento poderá decorrer por um período máximo de 12 anos, de acordo com a avaliação que for sendo feita do arguido.

O tribunal considerou o arguido inimputável, por sofrer de psicose esquizofrénica paranoide, dando como provado que, no dia do crime, atuou em "pleno surto psicótico".

O arguido terá ainda de pagar uma indemnização superior a 120.500 euros à família da vítima.

No julgamento, o arguido, de 29 anos, confessou a autoria do crime, mas alegou que o disparo foi acidental.

No entanto, o coletivo de juízes deu como provada a intenção de matar, com base num relatório pericial que demonstra que era necessária “uma pressão superior a 2,5 quilos” para premir o gatilho da arma usada.

O arguido disse em tribunal que se sentia "perseguido" e "gozado", nomeadamente através da rede social Facebook, por um grupo de pessoas da freguesia de Perelhal, acrescentando que, no dia dos factos, apenas queria que a vítima lhe dissesse quem eram os autores dessa "chacota".

"Apontei-lhe a caçadeira à cabeça mas era só para assustar. Não queria disparar, nunca quis matar", disse, referindo-se mesmo à vítima como seu "amigo de infância".

Acrescentou que a alegada chacota, que a acusação classifica de "perseguição imaginária", durava há mais de três anos, desde o tempo em que trabalhava em França.

Disse suspeitar que o filmavam e lhe tiravam fotografias, nomeadamente enquanto dormia, e que depois esse material era publicado na Internet, concretamente no Facebook.

O tribunal deu como provado que o arguido fez uma lista de pessoas a abater e que, na madrugada de 23 de abril de 2015, pegou numa caçadeira e foi à procura dos seus "alvos".

O primeiro não estava em casa, o segundo apareceu com a filha e terá sido "poupado" por isso, mas o terceiro, de 27 anos, teve menos sorte, sendo assassinado com um tiro à queima-roupa, a uma distância de dois ou três metros, quando esperava dentro do seu carro pela carrinha que o deveria levar para o trabalho.

Após o crime, o homicida pôs-se em fuga, mas pouco depois acabou por se entregar à GNR.