A festa do Dia da Criança em Portalegre está a gerar uma onda de indignação nas redes sociais. Tudo por causa de algumas das imagens publicadas pelo município, na página do Facebook, onde se vê uma simulação de um motim durante uma manifestação com a consequente carga policial.
 
Nas imagens vê-se um grupo de crianças que fazem o papel de polícias, equipadas com capacetes e escudos, enquanto outro grupo faz o papel de manifestantes, atirando bolas de papel aos “polícias”, simulando pedras.

Simulação de motim e carga policial na festa do Dia da Criança em Portalegre
 
A imagem mais elucidativa foi retirada entretanto do Facebook, mas outras permanecem ainda no lote de imagens da festa e os comentários dos internautas não se fazem esperar.
 

“Que vergonha é esta?!! Estão a educar as crianças para um estado policial??? A ensiná-las que o direito à manifestação deve ser combatido? Que nojo de gente!!! Vocês representam um município e uma corporação de polícia e não têm juízo nem decência. Isso devem ser saudades de outros tempos”, escreve uma das seguidoras da página do Facebook do Município de Portalegre.

 
Outro internauta classifica a iniciativa de “assustadora” e indigna-se pelo facto de haver “adultos à volta a assistir a esta vergonha e... a divertirem-se”. “Não é possível alguém com bom senso achar isto normal. PSP, educadores, autarcas, funcionários, pais, ninguém com dois neurónios a funcionar?”, acrescenta o mesmo utilizador.
 

“Como pai acho isto inaceitável e nojento”, pode também ler-se nos comentários às fotografias.


A Associação de Pais do Agrupamento de Escolas do Bonfim, em Portalegre, considerou "não muito feliz” a ação desenvolvida pela PSP daquela cidade, envolvendo crianças a simular um confronto policial.

“Acabou por ser uma ação não feliz dentro de um contexto educativo. Algo que tinha uma perspetiva pedagógica e que se fez no bom sentido do termo acabou por ter um resultado não muito feliz”, lamentou José Polainas, presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas do Bonfim, em declarações à agência Lusa.

José Polainas acrescentou que ainda não recebeu “qualquer tipo de queixa”, por parte dos pais ou encarregados de educação sobre este episódio, reforçando que vai “tentar perceber” o que se passou, questionando as autoridades, os educadores, pais e alunos.

Na sequência da divulgação noticiosa do caso, que a PSP considera que “não tem correspondência com a realidade”, a força de segurança veio anunciar mudanças no contacto com as crianças