Praias cheias, parques temáticos a abarrotar e locais desconhecidos. Características que fazem parte do cenário das férias de muitos portugueses. E este cenário com crianças pequenas é sempre motivo de ansiedade para os pais.
 
As crianças distraem-se com qualquer coisa e basta uma desatenção dos pais para se perderem. O que fazer para minimizar os riscos de perder as crianças durante as férias? Fomos ouvir Magda Dias, administradora do blogue Mum’s the Boss, autora do livro “Crianças Felizes”, coach e formadora nas áreas comportamentais e comunicacionais e mãe de duas crianças, à procura de conselhos práticos.
 
1. Ensinar os filhos com que estranhos se pode falar
Ainda antes de partir de férias, há muito trabalho de casa a fazer. É importante que as crianças estejam sensibilizadas a quem podem pedir ajuda, em caso de necessidade. Assim, é fundamental que os pais lhes vão ensinando que podem pedir ajuda a outras mães (mulheres acompanhadas de outras crianças ou com carrinhos de bebés), à polícia ou a um segurança. “Da próxima vez que for sair com eles, joguem a procurar por essas pessoas”, aconselha a especialista.
Explique ao seu filho que, no caso de se perder de si, deve procurar agentes da autoridade ou mulheres com outras crianças, por exemplo

 
2. Pulseira “Estou Aqui”
Ainda dentro da prevenção, o programa “Estou Aqui”, da Polícia de Segurança Pública é uma excelente solução. Basta pedir a pulseira online e validá-la numa esquadra da PSP.
O programa é destinado a crianças entre os 2 e os 9 anos e é válido até 30 de setembro, embora a polícia guarde os dados até 31 de dezembro.
As pulseiras do programa "Estou Aqui" são um instrumento precioso de prevenção

Saiba mais sobre o "Estou Aqui" da PSP, no site do programa.

3. Identificar um ponto de encontro
Em cada sítio que vão, pais e filhos devem identificar um ponto de encontro para o caso de se perderem. “Pode ser em cada loja que entram, por exemplo”, explica Magda Dias.
Além de ser útil em caso de efetiva perda, serve também de treino e de alerta para os mais novos.
 
4. Teste à criança
Pode parecer, à partida, um conselho polémico, mas Magda Dias sublinha que é importante ir testando a capacidade de a criança se desenrascar sozinha. Serve de teste e de treino.
“Diga que vão fazer um teste e ver se ela se orienta sozinha - digam também que vão estar a ver por isso pode ficar tranquila, que, no final, os pais aparecem. Peçam para agir de acordo com as indicações (ponto de encontro, procurar uma mãe, um polícia ou um segurança) ”, explica a especialista.
Atenção que este tipo de teste não é indicado para crianças muito pequenas.

Atividades do dia-a-dia, como idas ao supermercado são importantes para ensinar à criança como agir no caso de se perder dos pais
 
5. Decorar o telefone dos pais e a morada
Pode ser um jogo entre pais e filhos e pode ser muito útil, caso passe pelo sufoco de perder o seu filho num local estranho. Se ele souber dizer como se chamam os pais e quais os seus contactos, é muito mais fácil o reencontro.
Assim, ensine o seu filho a dizer o seu número de telemóvel, por exemplo. É muito mais fácil para a pessoa a quem a criança pedir ajuda chegar até si.
 
6. Atenção, liberdade, autonomia e regras
Atenção! A preparação para situações de crise não se faz de um dia para o outro. É fundamental estar atento e ir preparando a criança, sem lhe retirar em excesso a liberdade e a autonomia. O segredo está nas regras. “Quando for às compras, estabeleça um acordo com a criança - brincas nesta área e ficas neste corredor, por exemplo”, explica Magda Dias.
“Caso a criança não consiga ainda respeitar essas indicações, então deveremos assegurar que se mantêm por perto”, sublinha a formadora.

Nas idas à praia, toda a atenção é pouca. Organize atividades para fazer com o seu filho e para o manter junto de si
 
7. Na praia, todo o cuidado é pouco
A praia é talvez o sítio mais perigoso para uma criança se perder dos pais. O perigo de entrar na água sozinho é grande. “Uma criança que desaparece na praia por norma avança sempre contra o sol. Ir e vir com eles, sempre. Não facilitar nunca”, sublinha Magda Dias.
É aconselhável também frequentar praias vigiadas, com menos gente e nas horas recomendadas.
E não tenha ilusões: “se o seu filho é muito mexido e quer descansar, o melhor é não ir para a praia”. “Com o tempo, eles vão aprendendo a ficar junto a nós. Mas, até lá, lembre-se que ir com crianças para a praia nunca foi sinónimo de descanso. É bom não termos ilusões”, diz a especialista.
Magda Dias aconselha, ainda a arranjar atividades para manter criança ocupada na praia e junto aos pais. Ir apanhar conchas e fazer castelos de areia são algumas ideias.  
 
8. Trela, sem preconceito
Em visitas a sítios como a Disney ou outros parques temáticos em que a atenção da criança está constantemente a ser colocada à prova, também é bom estar consciente que não pode facilitar. A blogguer Magda Dias, defensora da parentalidade positiva, sublinha que, nessas circunstâncias, não tem qualquer pejo em usar a chamada trela. “Estamos a falar de segurança e, para mim, a segurança nunca é negociável”, diz.
No caso de crianças mais crescidas, pode, por exemplo, atar a referida trela à mochila, em vez de diretamente ao corpo.

Não tenha preconceitos: a chamada trela para crianças pode ser uma boa solução para manter a sua junto de si em locais muito frequentados

 
Atenção, prevenção e treino prévio são palavras-chave. Mas não há nenhuma medida milagrosa. Consciencialize-se que ir de férias com crianças não é sinónimo de descanso e que não se pode baixar a guarda em qualquer circunstância.