Seis dos oito menores que estavam no Centro Educativo da Madeira, encerrado na quarta-feira, foram transferidos para o de Vila do Conde, também gerido pela União Meredianos, informou esta sexta-feira esta associação.

A União dos Meredianos considera «uma grande perda para a sociedade portuguesa, especialmente para a Madeira, o encerramento do Centro Educativo de Menores da Região, mesmo depois de a associação ter apresentado alternativas para viabilizar a sua continuidade».

De acordo com a associação, apesar da difícil situação financeira do país, «as razões económicas não podem ser o motor da decisão do encerramento do Centro Educativo da Madeira».

A 12 de julho, a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais anunciou que o Centro Educativo da Madeira encerraria durante o mês de outubro e fonte do Ministério da Justiça disse à Lusa que tal decisão se prendia com o facto de nenhum dos jovens ali internados ser oriundo da Região, bem como ser uma infraestrutura com elevado custo de funcionamento, representando cada jovem uma despesa para o Estado de 210 euros diários, comparativamente com os 133 euros diários noutras localidades do país.

Em comunicado, a União dos Meredianos lamenta também a perda de emprego dos 30 profissionais que trabalhavam no Centro Educativo da Madeira e afirma que «o sistema português de centros educativos se encontra no limite das suas possibilidades, tendo em conta que a crise fez aumentar a delinquência juvenil».

A associação expressa, ainda, «preocupação com o futuro da justiça juvenil» e disponibiliza-se para «continuar a desenvolver o seu trabalho no âmbito da prevenção de problemas com jovens que têm dificuldades sociais, no sentido de encontrar as repostas mais eficazes e convenientes para os mesmos».

O Centro Educativo da Madeira foi inaugurado a 23 de janeiro de 2010, pelo então ministro da Justiça, Alberto Martins, que o considerou uma estrutura «modelar, única, com condições excecionais, ao nível europeu», representando um investimento de sete milhões de euros.

As obras ficaram concluídas em 2005, mas não funcionou durante cinco anos, devido à divergência entre os governos da República e Regional sobre a sua tutela, visto que o executivo madeirense se recusou a financiar o funcionamento de um organismo cuja responsabilidade dizia pertencer em exclusivo ao Estado. O impasse terminou com a decisão de uma parceria entre o Estado e a organização não-governamental União Meridianos, que ganhou um concurso público internacional para administrar o espaço.

O Centro Educativo da Madeira está situado na freguesia do Santo da Serra, no concelho de Machico, e tem capacidade para 40 rapazes.