Não falar com estranhos e saber o nome e o contacto dos pais são alguns conselhos que constam de um manual de segurança que pretende ensinar de “forma muito simples” as crianças a protegerem-se de situações de crime.


Elaborado pela GNR e pela Associação Portuguesa de Crianças Desaparecida (APCD) e lançado no Dia Internacional da Criança Desaparecida (segunda-feira), o “Meu Manual de Segurança” apresenta um conjunto de “regras elementares de segurança” para prevenir que as crianças sejam vítimas de crimes.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da APCD, Patrícia Cipriano, explicou que a ideia do manual surgiu após a constatação de que “as crianças não conhecem as regras mais básicas para a sua segurança pessoal”.

O tenente-coronel Rogério Copeto, da GNR, acrescentou que “é um manual muito simples, muito prático, muito dinâmico em que as crianças podem fazer desenhos e recorrer a algumas atividades no sentido de que todos os ensinamentos e regras básicas cheguem mais facilmente às crianças”.


As diferentes regras de segurança contidas no manual estão enquadradas em várias histórias que têm como ator principal o Guardoo, mascote da GNR.

“São regras que são basilares para as crianças entre os seis e os 12 anos” evitaram uma “situação mais perigosa”, que passam por comportamentos que devem adotar quando estão sozinhas em casa, no caminho para escola, quando estão de férias ou na internet, adiantou Patrícia Cipriano.

Rogério Copeto acrescentou que são “regras básicas que as crianças devem conhecer”, mas também os pais, encarregados de educação, professores e funcionários com intervenção na área da educação.

Outro objetivo do manual, que vai estar disponível a partir de segunda-feira para descarga gratuita no ‘site’ da APDC é levar estes conselhos a um maior número de crianças.

“A APDC e a GNR não conseguem chegar a todas as crianças para incutir-lhes estas regras com ações de sensibilização nas escolas e então decidimos criar um manual que pode ser utilizado pelos professores”, explicou a presidente da associação.

Patrícia Cipriano salientou ainda a importância de conhecer estas regras para prevenir situações de perigo, lembrando que há uma média de desaparecimentos anuais – segundo dados da Polícia Judiciária - que rondam os 1.500 a 2.000 só na zona de Lisboa e Vale do Tejo.

“Nós não gostamos de nos deter em estatísticas, porque a própria Federação Europeia de Crianças Desaparecidas” considera que “estão completamente subvalorizadas em toda a Europa”, mas “estes dados são preocupantes ainda que a taxa de recuperação seja superior a 90%”, sublinhou.

Para Patrícia Cipriano, é sempre uma realidade preocupante, porque “está comprovado que 25% das crianças que ficam entregues a si próprios durante as horas em que estão desaparecidas” estão sujeitas a “perigos que são graves”, como ofensas à integridade física, abusos sexuais e consumo de estupefacientes ou álcool.

“Muitas vezes sabemos que as crianças ausentam-se por vontade própria ou porque fogem de casa ou porque se zangaram com os pais e vão para casa de amigos, mas o facto de estarem ausentes num paradeiro desconhecido é um risco acrescido e por isso a necessidade de serem localizadas rapidamente”, sustentou, por seu turno, Rogério Copeto.


Para isso, defendeu Rogério Copeto, as autoridades devem ser logo alertadas quando a criança ou jovem desaparece.