O serviço SOS-Criança sinalizou menos casos de menores desaparecidos em 2014, ano em que desapareceram mais raparigas do que rapazes, invertendo a tendência de 2013, revelam dados do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Segundo os dados enviados à agência Lusa, a propósito do Dia Internacional da Criança Desaparecida que se assinala na segunda-feira, este serviço do IAC sinalizou 42 novos casos de crianças desaparecidas em 2014 - menos 18 face ao ano anterior -, a maioria meninas (54%).

A fuga de casa ou de uma instituição foi o principal motivo do desaparecimento (24 casos), seguindo-se o rapto parental (12). Houve ainda dois casos de rapto e em quatro situações não foi identificada a causa de desaparecimento.

Segundo os dados, houve uma diminuição das situações de rapto parental, que passou de 40% do total das situações apresentadas em 2013 para 29% no ano passado.

Esta situação está diretamente ligada “às faixas etárias das crianças, em que denotamos uma diminuição do número de crianças desaparecidas até aos três anos”, explica o IAC.


No final de 2014, 59% das crianças (25) continuavam desaparecidas, um ligeiro aumento face ao ano anterior (52%), referem os dados.

A duração do desaparecimento manteve a mesma proporção do ano anterior, em que o maior número de crianças esteve desaparecido até 48 horas, seguidas de uma semana.

A maioria das crianças tinha idades entre 14 e 16 anos, seguidos dos 11 e 13 anos, “o que está diretamente ligado ao tipo de desaparecimento, em que predomina a fuga, correspondendo a 58% das situações apresentadas”, refere o IAC.

Os dados referem que a maioria das crianças era portuguesa, embora em 10% destes casos as crianças tinham dupla nacionalidade”.

A iniciativa do desaparecimento foi da própria criança em sete dos 42 casos. Em cinco casos estavam acompanhados por amigos e, nos casos de rapto parental (12), estavam acompanhadas por um dos progenitores.

Entre os fatores de risco associados às situações de desaparecimento, o IAC realça os problemas familiares (12 casos) e os problemas de comportamento (oito). Mas também houve casos em que os motivos foram o desejo de aventura (dois), a influência dos amigos (dois) e os maus tratos (um caso).

No que se refere à área de residência das crianças na altura do desaparecimento, a maioria era do distrito de Lisboa (14), seguido de Setúbal (10), mantendo a tendência do ano anterior.

A maior parte das situações (28) foi apresentada ao SOS Criança pelo telefone e as restantes por email.

Os apelantes foram sobretudo familiares (79%), tendo aumentado face a 2013, tendência que se inverteu em relação aos profissionais, que passou de 35% do total dos casos para 17%.

Relativamente ao encaminhamento, aumentou o número de situações que não tinham sido sinalizadas pela família às autoridades policiais, de 5% em 2013 para 12% em 2014.

Relativamente à “situação jurídica dos pais”, o IAC refere que em oito casos estavam divorciados, em sete separados e em outros os pais estavam casados.

Houve ainda quatro situações em que os pais viviam em união de facto e três eram viúvos. Em 13 situações não foi possível apurar o estado civil dos progenitores

Os meses de março e fevereiro foram os que registaram o maior número de desaparecimentos, com seis e cinco casos respetivamente.