A Livraria Sá da Costa, em Lisboa, declarada insolvente, está encerrada para liquidação e a administradora judicial está a receber propostas de compra.

«Nós recebemos os papéis para ter acesso ao subsídio de desemprego e, quanto a indemnizações, se houver, só depois de tudo vendido», disse à agência Lusa Susana Pires, ex-funcionária da livraria.

Esta liquidação concretizar-se-á com a venda de todo o património da Sá da Costa, para pagamento aos credores, e com a extinção da empresa.

O imóvel que é posto à venda é o espaço da livraria, na rua Garrett, fazendo esquina com a rua Serpa Pinto, e o primeiro piso do edifício.

«Nesta altura estamos a trabalhar, sem auferir salário, para entregar aos editores os livros que, para mantermos a livraria aberta, nos foram entregues à consignação», explicou Susana Pires.

A livraria foi declarada insolvente pelo Tribunal de Comércio de Lisboa, em julho passado, depois da assembleia de credores ter «chumbado» o plano de viabilização da empresa.

A Sá da Costa existe desde 1913, ligada à editora com o mesmo nome tendo aberto inicialmente no largo Dr. António de Sousa Macedo, ao Poço dos Negros, mudando-se em 1943 para o atual espaço.

Num manifesto publicado no dia 20 de julho, os trabalhadores apontaram o dedo aos negócios imobiliários e ao «absoluto vazio gerado pela ditadura financeira», que responsabilizaram pelo encerramento da livraria centenária.