A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou esta quarta-feira que "não deixará de analisar todos os elementos que vierem ao seu conhecimento", relacionados com a situação da Caixa Geral de Depósitos.

"O Ministério Público [MP] não deixará de analisar todos os elementos que vierem ao seu conhecimento, tendo em vista apurar se se verifica necessidade de intervenção no âmbito das suas competências", informou a PGR, em resposta à eventualidade de o caso vir a ser investigado pelo MP, que é o titular da ação penal.

Esta quarta-feira, a porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, incentivou o Governo a promover uma auditoria forense aos créditos de alto risco da Caixa Geral de Depósitos (CGD), com o primeiro-ministro a garantir que tal proposta será ponderada.

"O Governo deve promover uma auditoria forense aos créditos de alto risco da CGD, e partilhar os resultados com o parlamento e o Ministério Público", vincou esta tarde Catarina Martins, que se dirigia ao chefe do executivo, António Costa, no debate quinzenal na Assembleia da República, marcado pelo tema CGD.

Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, foi sintético: "Iremos ponderar a sua sugestão".

Também esta quarta-feira, o PSD mostrou-se disponível para dialogar com os restantes partidos sobre o objeto da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos, que o partido anunciou esta quarta-feira que iria impor.

"Há disponibilidade do PSD para dialogar com outros partidos sobre o objeto da comissão", disse fonte social-democrata à agência Lusa.

Em causa estavam declarações da porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, que vincou que a comissão de inquérito não tinha de ser potestativa e limitada no seu objeto.

O primeiro-ministro garantiu que, do que conhece, o plano de reestruturação da CGD não prevê despedimentos de trabalhadores, mas apenas uma redução de pessoal resultante de aposentações.

Nos últimos meses, e sobretudo nas últimas semanas, tem havido uma discussão pública sobre a necessidade de o Estado fazer um aumento de capital na CGD, com a imprensa a apontar para um valor que pode ascender a 4.000 milhões de euros.

Essa recapitalização - a ser aprovada pela Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia - poderá implicar uma nova reestruturação do banco, com alterações no seu negócio e cortes de pessoal.

Na segunda-feira, o PSD, através do deputado Duarte Pacheco, exigiu explicações ao Governo sobre as necessidades de capitalização da CGD e não excluiu a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito à gestão do banco nos últimos anos.