O Ministério da Educação e Ciência (MEC) adiantou hoje que cerca de 90% das turmas de 1.º ciclo têm oferta de inglês nas Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC), estando ainda por concluir o levantamento em todas as escolas.

«Foi apurado pelos serviços do Ministério que 97% das Unidades Orgânicas [agrupamentos escolares e escolas não agrupadas] que têm escolas de 1.º ciclo oferecem inglês nas AEC. Está ainda a ser concluído um levantamento mais detalhado, mas os dados obtidos até ao momento indicam que o inglês é oferecido em AEC a cerca de 90% das turmas», refere uma nota do MEC enviada à Lusa.

Os números finais só serão conhecidos quando estiver concluído o levantamento que a Direção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) está a realizar.

No entanto, os dados já avançados pela DGEEC do ano letivo de 2012-2013 indicam percentagens de frequência do inglês nas AEC semelhantes aos números provisórios hoje avançados pelo ministério.

De acordo com o relatório do gabinete de estatísticas do MEC, cerca de 91% dos alunos do 1.º ao 4.º ano de escolaridade, no território continental, frequentaram no ano letivo transato o inglês em oferta nas AEC.

O mesmo documento indica que 99% das escolas do 1.º ciclo ofereciam inglês nas AEC em 2012-2013.

O inglês no 1.º ciclo levantou polémica depois de em julho o ministro da Educação, Nuno Crato, ter assinado um decreto-lei que tornava o ensino do inglês opcional para o 1.º ciclo, cabendo às escolas decidir se queriam ensiná-lo em Oferta Complementar (que se integra na componente curricular), se preferiam remetê-lo para as AEC ou exclui-lo por completo.

Professores e partidos vieram a público criticar as opções do ministério, sobretudo depois de Nuno Crato ter anunciado a instituição de um teste de diagnóstico na disciplina de inglês no 9.º ano de escolaridade, que poderá contar para a nota final dos alunos, se as escolas assim o decidirem.

Já depois de ter tornado o inglês opcional no 1.º ciclo, quer em Oferta Complementar, quer nas AEC, o ministro, na sessão solene de abertura do ano letivo que decorreu no início desta semana no Conselho Nacional de Educação, pediu ao órgão consultivo do MEC ajuda para pensar como seria possível tornar o inglês obrigatório e curricular no 1.º ciclo.

A mudança de posição do ministro levou pais e sindicatos a acusar Nuno Crato de desorganização, recorda a Lusa.