Quando regressou a Portugal, depois de uma temporada em Espanha, Ricardo Andorinho queria uma solução flexível e de baixo custo para implementar a sua empresa de consultoria em negócios no nosso país. A solução de coworking pareceu-lhe então a ideal e desde 2008 que a MBUIntelligence trabalha neste sistema.

«Foi uma solução bastante flexível, que se adaptava à natureza dos projetos com que trabalhávamos», conta Ricardo Andorinho, antiga glória do andebol nacional e agora empresário.

A MBUIntelligence trabalha agora com 4 a 12 colaboradores (conforme os projetos que tem em mãos) e tem sempre à disposição um espaço para reuniões e para trabalho, sem a formalidade e os custos de um escritório tradicional. «Basta pensar num arrendamento de um espaço de escritório tradicional e comparar com os preços do coworking», sublinha o empresário.

Trabalhar em casa... fora de casa

O coworking é um modelo de trabalho cada vez mais procurado por empresas no início de atividade ou à procura de uma reestruturação. Permite a partilha do espaço de escritório com outras empresas, reduzindo os custos com arrendamento, por exemplo, mas traz também outras vantagens, por comparação com outros modelos como o teletrabalho. «Há uma maior possibilidade de sinergias e de contactos com outras empresas, sem perder as condições de privacidade necessárias a um negócio», adianta Carlos Gonçalves, CEO do Avila Business Centers (uma empresa que disponibiliza espaços para coworking) e diretor da Global Work Association.

Carlos Gonçalves, que escreveu recentemente um livro sobre o assunto em parceria com o jornalista da TVI José Gabriel Quaresma intitulado «Out of the Office», acrescenta que esta solução é cada vez mais procurada por profissionais de diferentes áreas, desde a consultoria, à advocacia, passando pelas novas tecnologias. «O coworker não está tão isolado como se trabalhasse a partir de casa. Alguns dos nossos clientes trabalhavam em casa e optaram por este modelo porque assim fazem uma melhor gestão dos seus horários e da sua vida pessoal e profissional», adianta.

«Inicialmente, era utilizado sobretudo por freelancers pequenas empresas em início de atividade. Mas é cada vez mais procurado por empresas maiores, que estão, por exemplo, em processo de reestruturação», acrescenta Carlos Gonçalves.

Portugal muito à frente

Em Portugal, a adesão ao modelo de trabalho é classificada de «muito positiva». O conceito surgiu em terras lusas em 2006/2007, mas sem o sucesso esperado de imediato. O Avila Business Centers fez uma primeira tentativa de o implementar em 2008, mas abandonou a ideia ao fim de oito meses. Retomou no ano passado e, agora sim, com uma adesão cada vez mais crescente. «Temos 15 coworkers fixos a trabalhar connosco, com a sua secretária fixa. Depois temos aqueles a que chamamos coworkers nómadas, que vêm pontualmente, alguns dias, algumas semanas ou só para desenvolver projetos pontuais», contabiliza Carlos Gonçalves.

Portugal tem sido, na verdade, um dos países onde a implementação do conceito mais tem crescido. Uma monitorização a nível mundial, levado a cabo pela Deskmag, desde outubro de 2010, revela uma enorme tendência de crescimento. Em dois anos, verificou-se um crescimento de 250 por cento a nível mundial. De cerca de 600 espaços em todo o mundo, em 2010, passou-se para quase 2100 em 2012. Brasil, Japão e Reino Unido foi onde se registou um maior crescimento, mas Portugal não se ficou atrás e era, em finais de 2012, o sexto país a nível mundial em termos de número de habitantes por espaço de coworking.