Técnicos da EDP e da Câmara do Entroncamento, acompanhados pela PSP, cortaram esta terça-feira a energia elétrica a 31 habitações com ligações ilegais, medida que o presidente do município sublinha visar fazer com que todos os cidadãos «cumpram os seus deveres».

O autarca Jorge Faria disse à agência Lusa que o corte desta terça-feira, em habitações com ligações ilegais identificadas numa análise aos contratos de 116 residências, se seguiu à ação, realizada há uns meses, de cortes no abastecimento de água em casas de munícipes que, em alguns casos, não pagavam há seis anos.

«São ações didáticas, que visam fazer compreender que todos os cidadãos têm direitos e deveres iguais», disse Jorge Faria, frisando que o seu executivo está a tentar «moralizar o relacionamento» com os munícipes.

«Estamos prontos a ajudar nas dificuldades, mas as pessoas também têm que assumir o cumprimento das suas obrigações», afirmou, assegurando que, no caso do abastecimento de água, foram feitos acordos de pagamento e procuradas formas de apoio.

«Os resultados têm sido muito bons. Tem havido situações pontuais de não pagamento, resolvidos ou por acordos ou, quando estes não são cumpridos, tentando encontrar formas de apoio», disse.

No caso da eletricidade, a situação não se prendeu com atrasos nos pagamentos, uma vez que esses são alvo de corte por parte da empresa fornecedora, mas com ligações ilegais a caixas de distribuição de energia e a postes de ligação, atos que são crime além do «grande risco de eletrocussão» que acarretam.

A grande maioria das situações tem-se registado num bairro camarário, o Bairro Frederico Ulrich, para o qual o município tem procurado uma estratégia de intervenção que contrarie o estigma de «gueto» que lhe está associado, afirmou o autarca.

Segundo Jorge Faria, as caminhadas promovidas pelo município passaram a integrar o bairro no seu percurso e a ciclovia que deverá começar a ser construída em outubro irá passar por ali, estando igualmente a ser melhorada a limpeza do bairro e a ser criado um espaço de estacionamento.

Jorge Faria adiantou que existe a preocupação de intervir em vários domínios, nomeadamente ao nível da educação, não só no apoio em alimentação e livros como no papel dos professores como «agentes ativos»indutores de «comportamentos adequados», que têm um peso na avaliação dos apoios a atribuir.

«Queremos não só restabelecer a autoridade democrática como devolver a dignidade» ao bairro, afirmou, garantindo que esta estratégia vai prosseguir «com firmeza» e a consciência de que este é um processo que «vai demorar o seu tempo».

«Estamos numa fase de moralização dos comportamentos e de transmitir a ideia de que são cidadãos como os outros, a quem são exigidas atitudes cívicas», disse.