Portugal é um país corrupto? Como se combate a corrupção? Há leis a mais ou a menos? A Procuradora-Geral Adjunta Maria José Morgado, o presidente da Associação Transparência e Integridade, Luís de Sousa, e o advogado Manuel Magalhães e Silva debateram estas e outras questões no programa “A Caminho das Legislativas”, da TVI24.

Reportagem mostra que os portugueses ainda "fecham os olhos" à corrupção
 
“O que acho mais grave e se arrasta há muitos anos é não haver uma gestão dos riscos de corrupção a respeito da gestão dos dinheiros públicos e todas as más práticas conduzem a um plano inclinado que nos leva à corrupção, que se instala de forma descontrolada”, disse Maria José Morgado, que saudou um “avanço na Justiça em termos de eficácia e da capacidade de recolha de prova.”
 

“Começa-se a gerar ideia que há um risco para as práticas corruptivas. O pior que havia era haver a noção de corrupção, mas não haver consequências. Havia uma espécie de zona cinzenta, de terra queimada, onde ninguém era punido”.

 
A procuradora criticou ainda o facto de ter de pedir autorização aos serviços do ministério da Justiça para adquirir um equipamento necessário à investigação do abuso sexual de menores, por exemplo, e que custa 5 mil euros.
 

“As autoridades judiciais devem ter os recursos adequados e não ter de pedi-los a conta-gotas, de forma ao poder político saber o que andamos a fazer. Isto é uma forma de dosear a nossa proatividade.”


Já Manuel Magalhães e Silva defendeu que a “simplificação de procedimentos e a transparência e publicitação desses procedimentos representam um mecanismo de prevenção da corrupção”.
 

“Há a ideia instalada na sociedade portuguesa que a classe dirigente é tudo um coio de malandros e esse fenómeno é filho direto da impunidade e da falta de meios de investigação.”

 
Luís de Sousa sublinhou que a “raiz do problema” da corrupção está nos “maus processos administrativos, nas más instituições e nas burocracias”, que levam “à arte de facilitar”.
 

“Não posso medir os resultados do combate à corrupção com a existência de mais prisões por esse crime nem pelo facto de termos um ex-primeiro-ministro em prisão preventiva. Portugal não é único país que passou por isso. É uma novidade, se calhar, mas para nós”.