O Ministério Público optou pela suspensão provisória do processo dos alunos «apanhados» num processo de alegada corrupção com cartas de condução em Vila Verde, informou hoje a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em informação enviada à Lusa, a PGR acrescentou que o inquérito principal, que já tem como arguidos seis examinadores, ainda se encontra em investigação.

«Deste processo, foram extraídas certidões que deram origem a outros inquéritos que visavam apenas apurar factos relativos a alunos. Relativamente a estes, o Ministério Público optou pela suspensão provisória do processo», sublinha a nota.

Diz ainda que, no âmbito das respetivas competências, o Ministério Público «pondera a solução adequada à situação de cada arguido».

Fonte ligada ao processo disse à Lusa que um dos que beneficiaram da suspensão foi o futebolista do Real Madrid Fábio Coentrão, que para o efeito aceitou pagar 3.000 euros ao Banco Alimentar Contra a Fome de Braga.

Pela carta de condução, o futebolista terá pagado 4.000 euros.

Com a suspensão provisória do processo, um arguido livra-se de ir a julgamento se, no prazo fixado pelo tribunal, pagar uma determinada quantia a uma instituição ou prestar um determinado número de horas de serviço comunitário.

A suspensão só pode ser atribuída a processos cuja moldura penal não exceda os cinco anos de prisão.

Em janeiro de 2013, e na sequência de uma investigação que decorria há dois anos, a Polícia Judiciária (PJ) de Braga deteve quatro examinadores do centro de exames de Vila Verde, gerido pela Associação Nacional dos Industriais do Ensino de Condução Automóvel (ANIECA).

Os detidos são suspeitos de corrupção, por alegadamente facilitarem os exames em troco de quantias que poderiam variar entre os 200 e os 1.500 euros, mas que em alguns casos poderiam ascender a 4000.

Buscas às casas daqueles examinadores levaram à apreensão de cerca de 200 mil euros.

Na ocasião, a PJ constituiu mais dois arguidos.

Em causa, segundo a PJ, poderão estar cerca de 600 cartas de condução.