Por: tvi24 / CP | 26- 3- 2010 19: 4
O administrador delegado da Capgemini em Portugal, Paulo Morgado, considerou esta sexta-feira que, «mais importante que
criar novas leis para combater a corrupção, seria olhar para as causas da corrupção» no nosso país.
O sistema judiciário
é uma das causas da corrupção no nosso país, mas existem seis outros motivos «essenciais» que a explicam, disse o responsável.
Paulo
Morgado falava numa conferência na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC), subordinada ao tema «A insustentável
urgência da ética: da responsabilidade individual à empresarial».
«O sistema judiciário não funciona em geral
e, muito menos, para combater o crime de corrupção, que é muito menos gasoso que, por exemplo, o crime de sangue»,
sustentou.
Os códigos Penal e do Processo Penal «não foram feitos para apanhar crimes como a corrupção», levantando
dificuldades tanto ao nível da tipificação, como da prova.
O facto de as entidades envolvidas no combate ao crime
económico-financeiro serem «muitas» e actuarem de «forma bastante desarticulada» e o «deficiente funcionamento da justiça»
são outras das circunstâncias apontadas por Paulo Morgado para explicar a corrupção em Portugal.
Para ultrapassar
a «insuficiência» do sistema judiciário, urge criar «mecanismos transparentes de prestação de contas» e «novas normas administrativas
que produzam novos tipos de sanção», como, por exemplo, a «irradiação de cargos públicos», defendeu.
O abuso
de poder, as eleições e o clientelismo, o peso do Estado e a burocracia, a «reciprocidade e os brandos costumes», a especulação
e «as amarras da imprensa» são as outras causas fundamentais da corrupção, na óptica de Paulo Morgado.
A comunicação
social «não publica tudo o que sabe», nem «pergunta tudo o que deve», criticou, considerando que isso de deve a circunstâncias
como a «precariedade do trabalho dos jornalistas» ou à publicidade, que «é um dos bens que se presta à transferência de valores
encapotados».
Além disso, «a imprensa alinha, muitas vezes, no jogo do prove lá» e, por outro lado, «desvaloriza
o acompanhamento de determinados processos».
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