O barco rabelo da Cockburn's venceu esta quarta-feira a 32.ª Regata de São João, na foz do Douro, com uma folga de "pelo menos 200 metros" em relação às restantes embarcações, todas representativas de marcas de vinho do Porto.

"Nós largámos de uma posição que normalmente nem é muito boa, porque foi do lado da Afurada, e como o vento geralmente vem do norte, muitas vezes o que acontece é que somos levados para a margem de Gaia", disse à Lusa Luís Martins, comandante da tripulação vencedora, minutos depois do fim da competição, que partiu das margens do Cabedelo até à ponte D. Luís I.

A posição de partida revelou-se vantajosa, assim que a embarcação pareceu aproveitar a boleia de um vento que escapou às restantes, mantendo-se na dianteira até à linha de chegada, para uma vitória resultante de "uma belíssima largada", segundo o timoneiro.

A primeira posição na tradicional regata teve ainda "um sabor especial", para Luís Martins, por coincidir com o ano em que a Cockburn's cumpre dois séculos de existência e que deu azo a uma celebração que dependeu de "pôr a vela na melhor posição", de forma a controlar as mudanças na direção e colocar o vento em popa.

Para o presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), Manuel Cabral, o importante foi mesmo "ver o setor do vinho do Porto a mobilizar as cidades do Porto e Gaia, assim como os muitos turistas que visitam as cidades".

"O vento, enfim, uns anos há mais, outros há menos. Há mais competição, diz-se que isto é a brincar, mas há aqui muita emoção entre as várias tripulações e as várias empresas, porque, obviamente, cada uma delas quer ganhar", considerou o presidente do IVDP.

Para Manuel Cabral, a equidistância entre a maior parte das embarcações, rasgada apenas pela vela da da Cockburn's, "também é muito importante, porque em termos gráficos, em termos plásticos da imagem da regata", permite ver "as marcas representadas todas em linha”.