A Alemanha está interessada em enfermeiros e paradémicos portugueses, revelou esta quarta-feira o ministro da Saúde. Paulo Macedo constatou essa intenção no estado alemão de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no norte do país, onde está de visita. 

O governante representa hoje Portugal - país convidado - na conferência sobre economia da saúde em Rostock, tendo desvendado a pretensão do ministro-presidente daquele estado, Erwin Sellering, na conferência de imprensa para apresentação de uma parceria que vai hoje ser assinada entre as partes.

"Houve essas solicitações quanto aos nossos recursos humanos, que são reconhecidos internacionalmente"


Paulo Macedo vai fazer chegar esse pedido dos alemães às universidades portuguesas, sendo que fez questão de recordar que tudo "depende da vontade das pessoas" e que o "Governo não deve intervir" mais do que isso.

Portugal e a CentroPT Health Alliance, estrutura suportada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, que engloba hospitais, universidades, parques tecnológicos, Administração Regional de Saúde, Turismo do Centro, Ageing @Coimbra e várias empresas celebra hoje uma parceria de cooperação com a rede de saúde alemã Biocon Valley, entidade com mais de 160 parceiros e que está localizada em Rostock e ainda em Greifswald, nota a Lusa.

Paulo Macedo disse também na mesma conferência de imprensa que esta parceria é uma oportunidade para demonstrar aquilo que o país tem feito, nomeadamente os produtos que as 15 empresas presentes na conferência têm criado, sobretudo na região Centro.

O ministro disse ainda que quer proveitar esta parceria para estudar eventuais hipóteses de fornecimento de dispositivos médicos e medicamentos.
 

"Todas as condições para a internacionalização"


"Temos uma medicina de alta qualidade, equipamentos e estruturas públicas e privadas modernas, conhecimento científico e tecnológico avançado. Temos empresas tecnológicas de base saúde altamente diferenciadas, com caminho internacional de sucesso percorrido, onde a inovação é a sua matriz diferenciadora. A internacionalização tecnológica e científica, nomeadamente a investigação clínica e os ensaios clínicos são já hoje, e nesta fase, um motor em aceleração que turbina o 'conhecimento'", afirmou Paulo Macedo, já na conferência sobre economia da saúde.

O governante aludiu ainda à importância do turismo de saúde e à sua relação com o turismo médico e científico e às áreas de excelência conseguidas em Portugal em várias áreas, como na oftalmologia ou transplantação hepática, cardíaca e renal.

"A este respeito da internacionalização da saúde, impõe-se sempre fazer referência enfática à singular condição de Portugal estar integrado na comunidade de língua oficial portuguesa, com países como Angola, Brasil ou Moçambique, cujas autoridades anseiam por elevar os seus cidadãos a patamares mais elevados de cuidados de saúde".

Portugal, defendeu Paulo Macedo durante a conferência, "é hoje um país atrativo, com facilidades fiscais e com vantagens assinaláveis, que radicam no capital de credibilidade e ambição e de segurança do investimento".

A questão do envelhecimento ativo e a pressão exercida sobre os estados naquilo que diz respeito a novos medicamentos inovadores e tratamentos que exigem grandes custos mereceu igualmente a atenção do governante, que exigiu um "debate que deve ser europeu e com soluções europeias, que resguardem as economias mais frágeis de uma possível captura financeira por gigantescos empórios industriais farmacêuticos".

Paulo Macedo disse também que o sistema público de saúde está hoje dotado de robustez suficiente para começar a preparar-se para a sua autonomia e para lançar as bases para assegurar a atratividade para o exercício profissional em dedicação plena.

O serviço nacional de saúde, que se "constitui como um tema de amplo consenso nacional", deve ser "pedra angular da vida nacional", após "saradas ineficiências, contidos desperdícios, anulados maus funcionamentos, corrigidas irregularidades, tratadas iniquidades".


Feito este caminho, continuou o governante, o SNS preocupa-se agora com a sua otimização: "aproveitamento integral dos recursos disponíveis, cuidadosa monitorização dos custos, criteriosa distribuição das oportunidades, rigorosa atribuição das prioridades, intenso esforço de atualização tecnológica em instrumentos médicos e em medicamentos, ativo incremento das oportunidades de formação dos profissionais".