O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) denunciou que há médicos tarefeiros a receber 1.200 euros por turno de 24 horas. Isto porque recebem mais de 50 euros à hora por trabalho no serviço de urgências e o hospital ainda paga a comissão para a empresa que coloca os médicos.

Caso um médico tarefeira faça quatro urgências de 24 horas num mês, recebe o mesmo que um chefe de serviço de urgência no topo de carreira por um mês de trabalho.

O recurso a estes clínicos contratados por empresas de trabalho temporário é feito quando há falta de médicos nos hospitais públicos, uma situação que acontece regularmente em período de festas ou de férias, e cujo o recurso e valores estão autorizados pelo Ministério da Saúde. 

Segundo o sindicatos dos Médicos, a situação tem vindo a aumentar desde que, em 2013, o programa de assistência financeira cortou em 50% o pagamento das horas extra aos médicos do Serviço Nacional de Saúde.

Em declarações à TVI24, Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, afirmou que não se trata de "uma questão de verba" porque as "verbas que não se deixam de gastar nas empresas são exatamente aquelas que poderão ser feitas para o pagamento dos médicos".

O Sindicato alerta ainda que os médicos tarefeiros não são controlados por nenhuma chefia e podem fazer turnos de 24 horas num hospital e seguirem para outro turno de 24 horas noutra unidade hospitalar, podendo adormecer em serviço ou cometer erros médicos.

Para Roque da Cunha, a solução passa por aumentar o valor da hora extraordinário pago aos médicos para não se recorrer aos contratados que saem muito mais caros ao Estado. Caso isso não aconteça, o secretário-geral do SIM admite que os profissionais de saúde vão partir para o protesto.