O distrito de Aveiro, fortemente atingido pelos incêndios florestais desta semana, é na noite desta quinta-feira a região que mais meios mobiliza no combate às chamas, com mais de 1.100 operacionais das forças de segurança e socorro no terreno.

Para este número contribuem, sobretudo, os fogos dos municípios de Águeda e de Arouca, que tiveram início já na segunda-feira, e Anadia, onde as chamas deflagraram na madrugada de quarta-feira.

Em Águeda, onde estão 337 operacionais e 103 viaturas, o incêndio, que começou em Préstimo, tinha quatro frentes às 23:00, segundo o site da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Em Arouca, as chamas surgiram inicialmente em Janarde, mas têm agora quatro frentes, que obrigaram à deslocação de 306 elementos das forças de segurança e socorro, apoiados por 97 viaturas.

Três frentes estão a ser combatidas em Anadia, onde se encontram 331 operacionais e 98 veículos.

Na lista de “ocorrências importantes” destacadas pela ANPC (com mais de três horas e mais de 15 meios de socorro), apenas relativas ao continente, o distrito de Aveiro surge ainda devido aos incêndios em Vale de Cambra e Castelo de Paiva, que começaram na quarta-feira.

Nestes dois fogos, estão no terreno mais de 130 operacionais e 40 meios terrestres.

No total, recorde-se, Aveiro mobiliza 1.110 operacionais, assistidos por 338 meios. Em termos gerais, permanecem no terreno 3.595 operacionais, que combatem ainda 135 incêndios ativos. 

No distrito de Viseu, estão em destaque dois incêndios – um no concelho de Viseu, ativo desde segunda-feira de manhã (agora com 99 elementos e 37 viaturas), e outro em Santa Comba Dão. Neste caso, 105 elementos e 29 veículos estão nas operações.

A lista de “ocorrências importantes” inclui ainda um fogo em Montalegre (distrito de Vila Real), para onde foram enviados 44 operacionais, e em Caminha, no distrito de Viana do Castelo, onde estão 119 operacionais.

Ambos tiveram início já na terça-feira.

Viana do Castelo tem sido outro dos distritos mais fustigados pelas chamas e, tal como o Porto e Aveiro, acionou o plano distrital de emergência.

Na ilha da Madeira, onde desde segunda-feira deflagraram vários focos de incêndio, inclusive no meio urbano, no município do Funchal, há ainda registo de algumas ocorrências, agora concentradas nas zonas florestais.

Devido a estes fogos na ilha, morreram três pessoas.

No total, os fogos considerados mais significativos em Portugal mobilizam no final desta noite mais de 1.700 operacionais.

Dois bombeiros feridos no combate às chamas

Em Santarém, um bombeiro teve de receber assistência médica, informou a Proteção Civil.

"Há registo de um ferido, um elemento da Força Especial de Bombeiros, devido a desgaste, e que teve de ser assistido no local", disse a fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém à agência Lusa.

Uma outra bombeira sofreu nesta tarde queimaduras numa perna quando combatia o incêndio que lavra em Santa Comba Dão.

Calheta pode ficar sem água potável

Os incêndios na Calheta, na Ilha da Madeira, afetaram o abastecimento das estações de tratamento de água e, por isso, a autarquia apela à população para que a poupe, sob pena de poderem ficar sem água potável.

Os incêndios continuavam ativos esta noite na Calheta, mas já não existem habitações em risco, uma vez que o fogo está concentrado numa zona de vegetação.

“Por favor, as pessoas não gastem água mais do que a suficiente ou urgente, porque a água está a fazer-nos muita falta e, neste momento, a água potável não está a ser abastecida nas estações de tratamento”, apelou o autarca, em declarações à agência Lusa.

Se a situação se mantiver por mais 24 horas “vamos ter problemas com o abastecimento de água potável”, vaticinou Carlos Teles, acrescentando que os mais afetados serão as cerca de 1.500 pessoas que vivem nas freguesias de Prazeres e de Estreito da Calheta.

Às 22:00 de hoje, havia uma frente de incêndio na zona alta da freguesia dos Prazeres, "difícil de controlar", que estava a ser combatida por cerca de 150 homens, apoiados por 14 viaturas e um posto móvel da Proteção Civil.

“Temos muitos meios no terreno”, disse Carlos Teles, acrescentando que estão também no local elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da Cruz Vermelha, assim como cinco máquinas escavadoras que esta noite estão a limpar e a alargar alguns caminhos florestais de terra batida.

Porto: plano de emergência prolongado

A Comissão Distrital de Proteção Civil (CDPC) do Porto decidiu voltar prolongar o Plano Distrital de Emergência (PDE) acionado na madrugada de segunda-feira. Deveria terminar esta quinta-feira, mas vai continuar em ação até às 20:00 do próximo domingo, acompanhando o alerta laranja nacional. Só hoje, foram contabilizadas 100 ocorrências.

Linha ferroviária encerrada

A linha ferroviária da Beira Alta continuava ao início da madrugada de hoje encerrada no troço entre Santa Comba Dão e Carregal do Sal devido a um incêndio, segundo a Autoridade Nacional da Proteção Civil.

Às 00:18, o incêndio na localidade de Castelejo, no concelho de Santa Comba Dão, distrito de Viseu, permanecia ativo com duas frentes. O fogo, cujo alerta foi dado às 14:20 de quinta-feira, está a ser combatido por 105 operacionais, apoiados por 29 meios terrestres.

Habitantes de aldeia de Arcos de Valdevez regressam a casa

Os mais de 30 habitantes da aldeia de Vilarinho das Quartas, no Soajo, Arcos de Valdevez, na área do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), regressaram a casa cerca das 21:30, disse à agência Lusa a Proteção Civil Municipal.

De acordo com o vereador da Proteção Civil Municipal de Arcos de Valdevez, Olegário Gonçalves, "o perigo passou e os habitantes puderam regressar a casa em segurança".

A aldeia foi evacuada cerca das 17:30 devido ao incêndio que lavra naquele concelho desde segunda-feira. Os mais de 30 habitantes foram deslocados para o Centro Social do Soajo.

Em Ponte da Barca, concelho vizinho de Arcos de Valdevez, onde, cerca dias 17:30, esteve "iminente" a evacuação da aldeia Paradamonte, situada junto à antiga central hidroelétrica da EDP, na Serra Amarela, também área do PNPG, "a situação está mais calma".

O incêndio florestal que teve início na segunda-feira de madrugada em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, foi hoje à noite dado como dominado pela Proteção Civil.

Segundo informação atualizada às 23:00 pela Proteção Civil, no terreno estavam 173 operacionais e 62 viaturas.

As chamas, que tiveram já diferentes intensidades, deflagraram na freguesia de Cabana Maior, mas o fogo tomou proporções que motivaram a ativação do Plano Municipal de Emergência.