A investigação, que envolveu mais de 25.000 pessoas do sexo feminino e masculino, que não apresentavam sinais de doenças cardíacas, observou os níveis de cálcio nas artérias, elemento considerado responsável pela aterosclerose.

Os resultados mostram que aqueles que bebem uma menor quantidade de café têm uma maior quantidade de cálcio nas artérias e, portanto, mais probabilidade de vir a ter problemas cardíacos, do que aqueles que consumiram uma quantidade moderada. Os números mantêm-se mesmo tendo em conta fatores como a obesidade, o consumo de álcool e tabaco.

Segundo a agência Lusa, a aterosclerose, que consiste na acumulação de lipídeos na parede vascular, pode causar o estreitamento e endurecimento das artérias, formando perigosos coágulos de sangue capazes, em última instância, de desencadear um derrame cerebral ou enfarte.

Assim, a quantidade de cálcio nas artérias de quem bebe entre três e quatro chávenas de café por dia é 10% menor do que em pessoas que tomam entre uma e três chávenas, e é ainda 20% mais baixo em comparação a quem bebe menos de uma, segundo o estudo.

«As evidências sugerem que o consumo de café poderia manter uma relação inversa com o risco de doenças cardiovasculares», segundo as conclusões do estudo publicado na revista britânica.

No entanto, os resultados não devem ser generalizados porque cada cultura tem estilos de alimentação e de rotina diferentes que podem só por si contribuir para uma boa saúde cardiovascular, advertem os investigadores.

 

«Apesar do estudo evidenciar uma potencial relação entre o moderado consumo de café e o menor risco de desenvolvimento de artérias obstruídas, é necessário investigar mais para confirmar estes resultados e entender a razão desta associação», afirmou à BBC, uma dietista da Fundação Britânica do Coração, Victoria Taylor.