A DECO recebeu 924 denúncias no âmbito da campanha contra o desperdício de água, que decorreu entre março e setembro, durante a qual a associação detetou «fraca capacidade» de resposta das entidades competentes.

De acordo com os resultados da campanha, divulgados pela DECO quando se assinala o Dia Nacional da Água, das 924 denúncias recebidas, foram resolvidas 467.

Das denúncias recebidas, 35 por cento (%) referem-se a fuga de água visível à superfície, 29% a rega desadequada em espaços verdes municipais, 17% a fuga na boca de incêndio, rega e lavagem de ruas, 7% a rotura na tubagem e 2% a colapso de faixa de rodagem de estrada ou rua por rotura na tubagem.

A associação de defesa dos consumidores realça ainda que «o silêncio das entidades desaponta os consumidores» e que as entidades gestoras revelam «fraca capacidade de resposta para diminuir as perdas de águas reportadas pelo cidadão comum».

«A diminuta reabilitação das condutas conduz a perdas de água (muitas delas visíveis, como revelaram os participantes da campanha), que depois se refletem em aumentos do tarifário, logo na fatura no final do mês», sublinha a DECO.

A associação refere ainda na nota de balanço da campanha que «alguns municípios sobem o preço da água para recuperar custos, medida nem sempre acompanhada de eficiência: 64% das 90 entidades gestoras com perdas de água superiores a 150 litros por ramal e por dia aumentaram os tarifários de abastecimento».

«Nos 57 municípios onde as entidades não informaram sobre as perdas de água, a maioria (63%) também aumentou os tarifários», acrescenta.

Segundo dados de 2011 da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) citados pela DECO, o volume de perdas em vários municípios «deixa antever os custos elevados das entidades por ineficiência».

«É preciso mais do que sensibilizar as entidades gestoras dos serviços de abastecimento, para cumprirem a qualidade do serviço, que passa pela redução do desperdício», afirma a DECO, acrescentando: «É urgente implementar programas de reabilitação de condutas e deteção de perdas reais de água em todo o sistema de abastecimento».

«Os consumidores estão a ser prejudicados pela falta de qualidade de serviço. Por isso, é necessário reforçar o quadro legislativo na aprovação de um sistema de penalização das entidades, indemnizando os consumidores no caso de falhas de abastecimento, muitas vezes resultado da insuficiente reabilitação de condutas», refere ainda a Deco.

A associação de defesa dos consumidores diz que já enviou as suas exigências ao Ministério do Ambiente e à ERSAR.