Com o frio a bater à porta e um alerta de uma estirpe de gripe perigosa, nada melhor que estarmos preparados para o que devemos fazer quando a doença nos apanha. A comida não cura a doença, mas pode ajudar o corpo a sentir-se melhor e a recuperar mais rápido. Alguns especialistas ouvidos pelo jornal espanhol El País deixaram conselhos e destruíram alguns mitos da alimentação relacionados com a gripe.

Nenhum alimento ajuda a prevenir ou a tratar a tosse. Raquel Bernácer, nutricionista, deita por terra o mito das laranjas e da Vitamina C. “O que mais consumimos são laranjas mas, na verdade, os pimentos, os morangos ou os kiwis têm mais vitamina C”, explica.

E o alho ajuda a prevenir as gripes? “Não há evidências, mas mal não faz”. E o mel, ajuda na tosse? “Também não há dados que comprovem essa eficácia e como é doce é preciso ter cuidado com o consumo exagerado”, acrescenta esta médica.

E os rebuçados e pastilhas de menta, ajudam a desentupir o nariz? “Não. O mentol tem a capacidade de nos fazer sentir frescos e quando isso acontece no nariz, o cérebro interpreta isso como uma maior passagem de ar pelas narinas… o que não corresponde à verdade”.

E o whisky ou o Cognac aquecidos? “As bebidas alcoólicas não são recomendadas para tratar nenhuma doença. Seria uma irresponsabilidade recomendar o seu consumo e, em excesso, representa um perigo para a saúde”, avisa Raquel Bernácer.

Muitas vezes, os resfriados e as gripes, cruzam-se com febre, o que pode originar um ligeira desidratação, caso não estejamos a ingerir líquidos suficientes. O consumo de canjas ou caldos de galinha são uma boa alternativa para isso. Além disso, quando ingeridos quentes, geram uma sensação reconfortante - e até de melhora – mas não curam”, conclui a especialista.

Marc Tarin, Médico de Familia, concorda com Raquel Bernácer: “Os caldos são uma boa fonte hidratação perante a perda de líquidos quando temos febre”.

Quando estamos com muita tosse, e se torna necessário tomar anti-inflamatórios, Marc Tarin avisa que não é obrigatório tomar protetores do estômago como, por exemplo, o Omeprazol. Comidas “pesadas” também devem ser evitadas, porque o organismo está afetado pelo vírus e não reage da mesma maneira perante os alimentos.

Quanto aos mitos de comer gelados ou beber coisas quentes quando nos dói a garganta, este clínico explica: “As temperaturas extremas fazem mal. Seja uma ou outra, representam uma agressão para uma garganta inflamada. O ideal é o meio termo”

E a comida “conforto”? Aquela que associamos a pessoas memórias e nos fazem sentir melhor? 

Segundo alguns estudos científicos, quando acreditamos que uma comida nos faz bem ou esta nos faz sentir melhor, há de facto, um efeito positivo. Essa sensação de estarmos melhor “é real”. A componente emocional da comida revela-se muito importante e essencial para os sintomas físicos.

Perante uma gripe ou uma constipação, mesmo que nenhum alimento cure, os caldos ou sopas quentes fazem, certamente, o doente sentir-se melhor. Principalmente a receita da avó ou da mãe. O “quente” ajuda a dilatar o fluxo sanguíneo e, com isso, ajuda por exemplo, a descongestionar o nariz.