A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, disse hoje à Lusa que a manifestação dos taxistas em Lisboa "está longe de alcançar" a dimensão prevista (6.000 profissionais) e sublinhou que a "segurança dos lisboetas está garantida".

"Espero que a manifestação se desenrole de uma forma serena, como num Estado de direito democrático", comentou Constança Urbano de Sousa, em declarações à agência Lusa à margem do Seminário Internacional "Estratégias de comunicação no contexto do terrorismo", uma iniciativa da Information Management School da Universidade NOVA (NOVA IMS), do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) e do Instituto da Defesa Nacional (IDN), no auditório da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

Constança Urbano de Sousa sublinhou que "os taxistas têm o direito de se manifestar, mas de forma ordeira", recordando que houve negociações entre a PSP e os organizadores do protesto de forma a definir o percurso e a segurança.

Os taxistas realizam hoje uma marcha lenta em Lisboa, quase seis meses depois de terem feito um protesto idêntico contra a plataforma Uber e que juntou centenas de carros na capital.

Em luta contra a regulação, proposta pelo Governo, da atividade das plataformas de transportes de passageiros como a Uber ou a Cabify, os organizadores prometem só arredar pé da Assembleia da República – onde termina a marcha lenta - quando o executivo travar aqueles serviços, que dizem não estar abrangidos pela lei.

As plataformas Uber e Cabify permitem pedir carros descaracterizados de transporte de passageiros através de uma aplicação para ‘smartphones’, mas estes operadores não têm de cumprir os mesmos requisitos – financeiros, de formação e de segurança – que os táxis.

Cerca de seis mil táxis de todo o país são esperados pela organização do protesto, que começou às 07:00 com uma concentração no Parque das Nações e seguiu cerca das 09:00 em marcha lenta até à Assembleia da República.

Ministra alerta para estratégias comunicacionais "astutas" dos jihadistas

Mas esta segunda-feiera, a ministra da Administração Interna também alertou para as "astutas" e "eficazes" estratégias de comunicação do terrorismo jihadista, destinadas a penetrar e recrutar seguidores nas sociedades democráticas e a instigar ataques.

A ministra referiu que, com o progresso das comunicações, a internet e o ciberespaço tornou-se num "importante veículo" de propaganda e radicalização de estrangeiros por grupos terroristas de natureza jihadista, como é o caso do Daesh e da Al Qaida.

Segundo Constança Urbano de Sousa, estratégias de comunicação "bem orquestradas" permitem às organizações jihadistas penetrar e recrutar apoiantes na Europa e em outras sociedades democráticas, pelo que é crucial que os Estados desenvolvam "estratégias de contra-narrativa para contrariar o ódio, os afeitos do terror e a insegurança" que esses grupos pretendem causar.

A ministra falou ainda da Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo, da responsabilidade dos Media em não servir de palco à propaganda do terrorismo jihadista e no papel comunicacional que a União Europeia deve assumir no contraterrorismo, incluindo nas redes sociais.

Na sessão interveio também, entre outros, o secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, que apontou os estratagemas utilizados pelo jihadistas para dar "impacto comunicacional" aos ataques perpetrados, por forma a "condicionar" os Estados e fazer a "exploração política e social dos atentados terroristas".

O dirigente do SIRP advertiu ainda para o perigo dos media se transformarem, em determinadas situações, no "megafone dos terroristas".

O antigo comissário europeu António Vitorino e o historiador Pacheco Pereira são algumas das figuras convidadas a intervir nos seminário, que conta ainda com a participação de vários responsáveis pelo serviço de informações estrangeiros, incluindo Noruega, Canadá e Espanha.