O Tribunal de Aveiro condenou esta terça-feira a sete anos de prisão, em cúmulo jurídico, um homem acusado de ter abusado sexualmente durante vários anos de uma menor, filha da sua companheira.

O coletivo de juízes deu como provados os três crimes de abuso sexual de crianças de que o arguido, de 43 anos, estava acusado pelo Ministério Público (MP).

Durante o julgamento, o homem negou os crimes, atribuindo a acusação a uma vingança da menor. No entanto, o coletivo de juízes considerou o seu depoimento "pouco credível".

Após a leitura do acórdão, a juíza presidente dirigiu-se ao arguindo, dizendo-lhe para pensar naquilo que fez à enteada na sua infância e perguntando-lhe se gostaria que fizessem o mesmo com uma filha sua.

Segundo a acusação do MP, os abusos começaram em 2005, quando a menor ingressou no 3.º ano de escolaridade e prolongaram-se até 2009, data em que o arguido se ausentou para Angola.

Os crimes terão ocorrido sempre aos domingos de manhã na casa onde o arguido vivia com a companheira e os três filhos desta (a vítima e dois irmãos), situada em Estarreja.

De acordo com a investigação, o arguido aproveitava a ausência da companheira, quando ia trabalhar, e o facto de os irmãos da menor estarem a dormir, para abusar da enteada.

Na acusação, o MP diz que por causa da intimidação e do facto de o arguido ser pessoa encarregue da sua educação, uma vez que era seu padrasto, a menor nunca se sentiu capaz de opor resistência.

O arguido vai manter-se em liberdade até esgotar o prazo para recorrer do acórdão condenatório. A advogada de defesa já anunciou que irá recorrer da decisão.