O Tribunal de Coimbra condenou, nesta segunda-feira, um homem a 20 anos de prisão por ter matado outro em maio de 2016 e por tentar tirar a vida a outros dois, irmãos da sua ex-companheira.

O arguido de 44 anos, preso preventivamente, foi condenado pela prática de um crime de homicídio qualificado na forma consumada, dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada, um crime de ofensa à integridade física e ainda detenção de arma proibida.

Os crimes terão ocorrido após um relacionamento "bastante conflituoso" entre o arguido e os dois irmãos da sua ex-companheira.

O juiz que presidiu ao coletivo do Tribunal de Coimbra, Miguel Veiga, recusou a tese do arguido de que "ia tranquilo na sua vida para ver a final da Taça de Portugal" e que "foi atacado de uma maneira bárbara" e que os incidentes ocorreram para se "defender".

A vítima mortal acabou por perder a vida numa "atitude corajosa e digna", em que tentou parar o agora condenado de esfaquear os irmãos da sua ex-companheira.

"As duas pessoas que tinha em mente, no momento, matar - e disso o tribunal não tem dúvidas -, foram aquelas que sobreviveram", frisou o juiz.

Miguel Veiga sustentou ainda a qualificação dos crimes através da utilização da navalha, que considerou um meio "particularmente perigoso".

A defesa informou os jornalistas que vai apresentar um recurso, sublinhando que o arguido devia ser condenado por crimes simples e não qualificados, e que o homicídio consumado devia ser entendido como uma atuação em legítima defesa.

Segundo o Ministério Público, os crimes terão ocorrido numa rixa, em Santa Clara, após um relacionamento "bastante conflituoso" entre o arguido e os dois irmãos da sua ex-companheira.

A 22 de maio de 2016, já depois de ter discutido com um dos irmãos da sua ex-companheira, o homem, de 44 anos, utilizando uma navalha, aproximou-se dos irmãos e terá desferido "vários golpes perfurantes em diversas partes do corpo" das duas vítimas, que estavam a acabar trabalhos de limpeza do pátio da sua habitação, com a ajuda de outros três homens.

De seguida, de acordo com o MP, o arguido avançou para um dos homens que tinha ajudado nas limpezas, tendo-lhe espetado "a navalha por duas vezes", perfurando-lhe o coração.