Um grupo de cidadãos de Condeixa-a-Nova promove no sábado uma ação pública de recolha de assinaturas para exigir o «fim do cheiro nauseabundo a azeite que se respira» naquela vila, anunciaram hoje os organizadores.

Segundo o porta-voz Sérgio Passos, a iniciativa vai decorrer entre as 15.00 e as 19.00 na Praça da República, em frente ao tribunal de Condeixa-a-Nova.

O abaixo-assinado serve para apresentar «uma reclamação às entidades oficiais competentes e, possivelmente, à propositura de uma providência cautelar e de uma ação popular judicial, exigindo o fim dos transtornos, incómodos e prejuízos para a saúde e o bem-estar dos condeixenses resultantes dos odores, cheiros e fumos provenientes da Indoliva-Sociedade Industrial Oleícola».

De acordo com o advogado Sérgio Passos, a fábrica Indoliva, situada junto ao IC2 (EN1), liberta gases para a atmosfera «de forte odor ácido, semelhantes aos vapores de gorduras ou óleos fritos», através de três chaminés.

«O que se percebe é que os gases são emitidos sem qualquer tipo de tratamento», sublinhou, salientando que "não se vê do exterior, ou não se percebe, que existam quaisquer tipos de máquinas, filtros, ou outros, que procedam ao tratamento ou filtragem das emissões libertadas para a atmosfera».

O porta-voz do movimento «Por uma Condeixa-a-Nova limpa» frisou que o aumento da temperatura tornou ainda «mais nauseabundos os cheiros que acompanham as espessas nuvens de fumo, causando mau estar, irritabilidade, vómitos e náuseas aos habitantes».

Em declarações à agência Lusa, o administrador da empresa reconheceu o cheiro incomodativo, mas salientou que os fumos libertados são «vapor de água, resultante do processo de seca do bagaço de azeitona», sem perigo para a saúde pública.

«Os fumos de combustão são uma minoria e não libertam cheiro», sublinhou Pires Monteiro, referindo que a fábrica está com emissões de poluição «abaixo do mínimo admitido por lei, de acordo com as medições efetuadas diariamente».

O administrador da Indoliva justificou a situação com o «ano extraordinário de produção» de azeite, em que a empresa recebeu 22 mil toneladas de bagaço de azeitona para transformar em óleo, o dobro do ano passado.

«A fábrica costuma trabalhar entre novembro e o fim de fevereiro ou início de março e, nesse período, os cheiros não se notam. Acontece que este ano estendemos extraordinariamente a laboração e o produto fermentou e libertou o cheiro natural, que reconheço ser incómodo para as pessoas», disse.

Segundo Pires Monteiro, «há mais de uma década que não existia qualquer queixa, mas este ano era inevitável, porque até os ventos sopraram ao contrário do habitual e o fumo dirigiu-se para o centro de Condeixa».

A Indoliva produz óleo de bagaço de azeitona que exporta na totalidade para Espanha, o maior consumidor europeu deste tipo de produto.