A Federação Nacional de Educação entende que os resultados do concurso nacional de professores divulgados esta segunda-feira demonstram que «os quadros das escolas vão continuar insuficientemente dotados» em relação às necessidades e permitiram uma «muito reduzida» mobilidade geográfica.

«Perdeu-se, desta forma, uma oportunidade para se promover um correto ajustamento entre as necessidades do sistema educativo e os recursos humanos que lhe devem estar afetados», salienta um comunicado da FNE a propósito dos resultados hoje conhecidos do concurso que se realiza a cada quatro anos.

No entanto, a FNE considera que, «em face de um correto dimensionamento das necessidades de funcionamento do sistema educativo, se deve promover no próximo ano de 2014 um novo concurso geral que coloque em cada escola os docentes que são permanentemente necessários».

As listas do concurso nacional ficaram disponíveis na Direção Geral da Adminsitração Escolar esta segunda-feira e revelam a colocação de 1.344 profissionais para as vagas disponíveis para educadores de infância e professores dos ensinos básico e secundário, para um total de 75.401 candidaturas.

Foram disponibilizadas 618 vagas e encerradas 253 vagas negativas(lugares indicados pelas escolas como a encerrar caso haja saída de professores daquele grupo), refere uma informação do Ministério da Educação, acrescentando que mudaram de escola 1.147 professores de quadros de agrupamento de escolas e escolas não-agrupadas (QA/QE).

«O que este concurso permitiu foi uma muito reduzida mobilidade geográfica de docentes dos quadros, pouco mais de mil conseguem mudar de escola, genericamente a razão desta mobilidade prende-se com a aproximação à residência dos candidatos», defende a FNE.

«Embora a expressão desta mobilidade seja muito pequena em função do número de interessados, esta é a componente mais expressiva do concurso, concretizando mais de 80% das movimentações» permitidas neste âmbito, acrescenta.

A Federação realça ainda que «não chega a 200 o número de docentes de quadros de zona pedagógica que conseguem entrar em lugares de quadro de escola ou de agrupamento de escola, deixando vários milhares em situação de incerteza quanto à sua colocação, o que se tornou particularmente grave» para a vida destes professores.

Por outro lado, «dos cerca de 600 docentes contratados com mais de 20 anos de serviço e que este ano entraram em QZP [Quadro de Zona Pedagógica] por efeitos do concurso extraordinário de vinculação, apenas um entrou em lugar de quadro de escola», em declarações à Lusa.