A médica Margarida Neto disse, este sábado, que os projetos-lei sobre a eutanásia que o parlamento vai discutir, são contra a Constituição, a Declaração Universal dos Direitos do Homem e contra todos os códigos de ética médica.

A clínica falava na concentração “Sempre pela Vida”, que juntou cerca de mil pessoas em frente à Assembleia da República, em Lisboa, e que foi o culminar de uma marcha que se iniciou no largo Luís de Camões e seguiu pelo Bairro Alto até S. Bento.

É uma lei que vai contra a cultura humanista do povo português, e contra a Constituição [da República] que afirma que o direito à vida é inviolável, é também contra a Declaração Universal dos Direitos do Homem, e contra todos os códigos de ética médica, incluindo a revisão atualizada do Juramento de Hipócrates, na assembleia médica mundial, no passado mês de outubro”, disse Margarida Neto referindo-se aos projetos-lei a serem discutidos pelo parlamento sobre a eutanásia e a morte clinicamente assistida.

Margarida Neto referiu que “os bastonários da Ordem dos Médicos, incluindo o atual”, Miguel Guimarães, são contra a eutanásia, “problema que em nenhuma circunstância e sob nenhum pretexto, é legítimo a sociedade procurar e pedir aos médicos para violarem o seu código deontológico”.

Os princípios da medicina excluem a eutanásia, a distanásia (prolongamento artificial do processo da morte) e o suicido assistido”, disse Margarida Neto, que advertiu: “mal vão aqueles que procuram instrumentalizar a medicina, com objetivos que são contrários à sua atividade”.

 

É função do médico minorar o sofrimento. Os deputados não têm legitimidade política ou moral, para aprovarem uma lei que destrói princípios fundamentais da cultura portuguesa e da medicina”, argumentou.

A clínica interrogou a razão da questão da eutanásia ser colocada agora, afirmando que “não havia qualquer sobressalto na sociedade, nem na classe médica aparecia alguém a defender a eutanásia”, e referiu que esta prática está legalizada “apenas na Holanda, Bélgica, Luxemburgo, no Canadá, na Suíça, e em quatro estados dos 50 que compõem os Estados Unidos da América”.

Isilda Pegado, da Federação pela Vida, que organizou a caminhada e a concentração, pediu ao Parlamento que “respeite os Direitos Humanos” e apelou para “uma sociedade do amor e da solidariedade, pela inclusão e pela igualdade”.

Ao longo da caminhada ouviram-se palavras de ordem como “A vida em 1.º lugar”, “As barrigas não se alugam” e “O embrião é um de nós”, e os manifestantes entoaram várias canções como “Ó Rama, ó que Linda Rama”, do cancioneiro alentejano, “Vem Viver a Vida Amor”, de José Cid ou a marcha “Cheira Bem, Cheira a Lisboa”, de Anita Guerreiro, e o hino da caminhada, “Toda a vida é um bem maior”.

Entre os participantes na caminhada, contavam-se alguns religiosos e crianças. Os cartazes empunhados pelos manifestantes tinham inscrições como “Por favor não matem os velhinhos”, “O aborto mata a maternidade”, “Ajudem-nos a viver e não a morrer”, ou “Aliviar sim, matar não”.

Além de Lisboa realizaram-se também caminhadas “Sempre pela Vida” em Aveiro e no Porto.