Os endocrinologistas apelam ao Ministério da Saúde para que aumente a comparticipação das bombas infusoras de insulina, que atualmente apenas chegam a 2,3% de todos os diabéticos tipo 1, deixando centenas à espera, principalmente crianças.

Este é um dos temas em destaque no congresso Português de Endocrinologia, que decorre entre os dias 28 e 30 de janeiro, em Coimbra.

“Pedimos ao Ministério da Saúde para aumentar a dotação orçamental para as bombas infusoras. Temos centenas de pessoas em lista de espera, principalmente na pediatria, crianças de 5 e 6 anos”, disse à Lusa Francisco Carrilho, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM).

De acordo com o especialista, a grande vantagem da bomba é que faz uma infusão contínua de insulina, permitindo aproximar os níveis de açúcar no sangue destes doentes o mais possível dos de pessoas não diabéticas, mantendo-as estáveis, com menos hipoglicémias e menos complicações.

O objetivo pretendido pelos endocrinologistas é o de aumentar a dotação orçamental para duplicar ou triplicar o número de bombas infusoras.

“Estas bombas têm uma vida de atividade de seis anos, depois têm que ser substituídas. Em muitos centros, não conseguimos sequer introduzir dispositivos novos, porque todos os que chegam são para substituir os antigos. É a prioridade. Em 2015 as bombas foram todas só para crianças, adultos foi zero”, desabafou Francisco Carrilho.

A bomba infusora é um aparelho do tamanho de um telemóvel que tem um reservatório de insulina e um pequeno computador, e tem um tubinho com uma agulha que é colocada na barriga e ali fica durante três dias, explicou.

Nesses dias, o tratamento é feito através desse sistema, em que a bomba é regulada para ir injetando insulina, evitando que o doente tenha que se injetar quatro vezes por dia, para administrar as necessárias doses de insulina.

Este sistema é necessário principalmente para crianças pequenas, mas também para todos os diabéticos de tipo 1 que não conseguem manter a doença controlada.

“Nem todos os diabéticos tipo 1 devem passar para as bombas, se a pessoa está equilibrada deve manter a injeção tradicional. Há diabéticos tipo 1 facilmente tratáveis e outros que apesar de fazerem tudo bem [o tratamento e a alimentação adequados] não conseguem controlar a doença”, explicou o responsável.

Francisco Carrilho lamenta que em Portugal esta tecnologia chegue apenas a 1.150 dos cerca de 50 mil diabéticos tipo 1 (2,3%), quando a média europeia se situa entre os 15% e os 20%.

“Países como a Suécia têm 40%, a Alemanha 30% e mesmo a Espanha tem 14%”, acrescentou.

Em Portugal, quando o Ministério da Saúde criou o programa de comparticipação de bombas infusoras, “dotou-o de uma verba que ao longo dos anos não tem tido acrescentos significativos”, sendo a verba atribuída “muito baixa”, disse.
Citando dados do Observatório da Diabetes, Francisco Carrilho referiu que as verbas atribuídas às bombas foram de 800 mil euros em 2012, 1.200 mil euros em 2013 e 1.300 mil euros em 2014.

“Só para se ter uma ideia, em 2014 a verba para tiras teste foi de 43 milhões de euros e para medicamentos de 242 milhões de euros. É uma gota de água no orçamento da diabetes”, considerou.

O presidente da SPEDM contou que já tem sugerido um sistema misto, em que as famílias que tenham possibilidade paguem uma parte, por exemplo os consumíveis, mas o Estado não aceita.

Uma bomba infusora custa quatro mil euros e depois tem um gasto adicional em consumíveis de cerca de 150 euros por mês.

De acordo com a SPEDM, as complicações da diabetes que as bombas evitam permitem ao Serviço Nacional de Saúde poupar 3.300 euros por ano a curto prazo e 6.600 euros por ano a longo prazo.

A diabetes tipo 1 é uma doença que afeta 5% a 10% do total de diabéticos e atinge crianças, adolescentes e jovens adultos, cujo único tratamento possível é a insulina.