A comissão de inquérito a Camarate aprovou hoje requerimentos para que as embaixadas dos Estados Unidos da América, do Reino Unido e da Alemanha prestem esclarecimentos relacionados com o envolvimento dos serviços secretos daqueles países no caso.

A necessidade destes esclarecimentos advém de afirmações proferidas em audições à porta fechada, não tendo, por isso, sido verbalizada pelos deputados da comissão de inquérito.

Fontes da comissão disseram à Lusa que os motivos se prendem com afirmações proferidas nas audições à porta fechada sobre o alegado envolvimento dos serviços de informação daqueles países, sendo no caso alemão relativo à Stasi, a polícia secreta da antiga República Democrática Alemã (RDA).

A deputada socialista Inês de Medeiros afirmou que as audições à porta fechada criaram «alguns problemas» à comissão porque «a credibilidade destes testemunhos ainda não está provada» e é da maior «gravidade» que se apresente o «envolvimento de uma embaixada num atentado».

Inês de Medeiros pediu uma formulação diferente para os requerimentos daquela que tinha sido proposta pelo deputado do CDS-PP Ribeiro e Castro, que confiou à mesa essa tarefa.

«Não podemos avançar nessas matérias, sem suscitar o contraditório», afirmou Ribeiro e Castro.

«Os Estados Unidos são um país democrático, onde há inquéritos parlamentares duríssimos sobre matérias aqui levantadas - "Irangate", "October surprise" - e nós não podemos ter essas dores», afirmou.

A X comissão de inquérito ao caso Camarate visa averiguar as «causas e circunstâncias em que, no dia 4 de dezembro de 1980, ocorreu a morte do primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, e dos seus acompanhantes».

O Fundo de Defesa Militar do Ultramar e o comércio e exportação de armamento são as duas principais linhas de investigação seguidas pela X comissão.