O Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários (GISAF), organismo independente ao qual compete investigar os acidentes com comboios, está inativo desde 2011 por falta de quadros, após a demissão do seu diretor.

Em dezembro de 2012 foi publicado na página da internet da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP) o anúncio para preenchimento do cargo de diretor do GISAF. Foram apresentadas dez candidaturas.

Contudo, a informação que consta atualmente na página da CRESAP indica que foi aberto um novo concurso no dia 12 do corrente mês para o preenchimento da vaga de diretor, podendo os candidatos entregar a candidatura até hoje. A agência Lusa tentou obter esclarecimentos do Ministério da Economia sobre o assunto, mas aguarda resposta desde o dia 15 de julho.

Em janeiro deste ano, após o acidente em Alfarelos, concelho de Soure, com um comboio Intercidades e outro regional, o qual provocou 15 feridos, a tutela adiantou à Lusa que «o Governo, até pela independência que o cargo em questão exige, não pode acelerar artificialmente um processo público com prazos regulados por lei».

Mais de meio ano depois, decorre ainda o concurso para o preenchimento da vaga de diretor do GISAF. «A nomeação dos órgãos dirigentes desse gabinete está a seguir o seu curso, com a escolha de currículos por parte da comissão de recrutamento da administração pública e posterior seleção pelo Estado. A nomeação ocorrerá logo que tenhamos o relatório da comissão de recrutamento, mas é para muito breve», disse à Lusa em fevereiro deste ano, Sérgio Monteiro, secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.

A segurança dos transportes ferroviários ganhou hoje nova atualidade após o descarrilamento, na quarta-feira, de um comboio de alta velocidade em Santiago de Compostela, Espanha, provocando pelo menos 78 mortos e 130 feridos, segundo informações oficiais.