A CP garantiu hoje que não está prevista a redução de oferta na linha do Douro a partir de agosto, depois de autarcas durienses se terem mostrado preocupados com a supressão de comboios.

A Câmara de Peso da Régua e a Junta de Freguesia do Pinhão, no concelho de Alijó, mostraram-se hoje contra uma alegada intenção da CP – Comboios de Portugal de suprimir, a partir do próximo mês de agosto, cinco comboios diários na linha do Douro.

Contactado pela agência Lusa, o gabinete de comunicação da CP garantiu que “não vai haver redução de oferta na linha do Douro” e explicou que estão a ser feitas atualizações à base de dados e que, por isso, ainda não foram introduzidos todos os horários no site.

O que se verificou, referiu, foi um “erro de pesquisa”.

A Junta do Pinhão referiu, em comunicado, que os horários divulgados nos sites da CP e da Infraestruturas de Portugal (IP), preveem a “redução de 40% da oferta” no trecho entre o Peso da Régua e o Pocinho, o que considerou “inexplicável numa altura em que a procura tem, por diversas vezes, excedido a oferta”.

O presidente da Câmara da Régua, José Manuel Gonçalves, disse à agência Lusa, que já solicitou uma reunião urgente com o presidente da CP a quem quer pedir esclarecimentos sobre a linha ferroviária do Douro.

O autarca referiu não entender a decisão da CP, a concretizar-se, já "que surge numa altura em que o fluxo de turistas aumenta" e pode condicionar “a mobilidade de quem quer vir ao Douro e compromete o desenvolvimento sustentado de vários concelhos, de uma região”.

O desagrado vai mais longe quando pensamos nas pessoas que dependem diariamente da ligação ao Porto, para trabalhar ou estudar. Com esta resolução, todas essas pessoas serão forçadas a alterar as suas vidas”, referiu.

Também Sandra Moutinho, presidente da Junta de Freguesia do Pinhão, se mostrou “muito preocupada” com aquilo que considerou ser um “ataque à região, aos cidadãos e ao potencial turístico do vale do Douro” e apelou ao Governo que interceda junto da CP para obter “uma solução que vá de encontro aos interesses de todas as partes”.

Governo vai lançar concurso para adquirir material circulante ferroviário

O Governo está a preparar um concurso internacional para vir a adquirir novo material circulante para a ferrovia e vai contratar 50 novos trabalhadores para a manutenção de comboios, anunciou hoje na Lourinhã o secretário de Estado das Infraestruturas.

“Vamos fazer a contratação de mais 50 trabalhadores para conseguir fazer a manutenção a tempo [de comboios] e estamos a preparar o lançamento do concurso internacional de aquisição de material circulante, que tem de se coadunar com o investimento que temos de fazer nas linhas ferroviárias”, disse Guilherme d’Oliveira Martins à agência Lusa.

“Há uma necessidade urgente deste material circulante”, admitiu, adiantando que o concurso será lançado “em breve”.

Segundo o governante, o Governo quer inverter “o ciclo de desinvestimento das últimas décadas” na ferrovia.

O secretário de Estado das infraestruturas falava à margem de uma conferência de imprensa, sem que anunciou obras na estrada nacional EN8-2, na localidade da Carrasqueira, concelho da Lourinhã.

Na edição de hoje, o jornal Público noticiou que a CP se prepara para reformular os seus horários, com uma redução da oferta de comboios em praticamente todas as linhas por falta de material circulante e de funcionários para a manutenção das composições mais antigas, que estão sucessivamente avariadas.

De acordo com aquele diário, a situação é mais gravosa nas linhas do Algarve, Alentejo e do Oeste, onde as supressões de comboios são diárias e são substituídos por autocarros.

As supressões começam também a acontecer, durante a madrugada, com os comboios da Linha de Sintra, que começa a ter falta de material circulante.