As estações ferroviárias de Caminha e Pinhão estão encerradas devido à greve dos trabalhadores, que não foi desconvocada pelo Sindicato Nacional dos Ferroviários Braçais e Afins (SNFBA), revelou à Lusa o responsável sindical António Pereira.

«Há comboios a funcionar com atrasos e estações onde não param», resume o sindicalista.

A estação de Barcelos, na linha do Minho, também chegou a estar encerrada durante a manhã e a estação de Valença está a funcionar «apenas com um homem», acrescentou o responsável sindical.

Para além disso, também as estações de Tamel e Barroselas estiveram a funcionar sem operadores de manobras durante a manhã desta quinta-feira, admitiu à Lusa fonte da REFER.

A empresa admite que os trabalhadores braçais não desconvocaram a greve, mas defende que isso não corresponde a alterações na circulação ferroviária. «Não há penalizações acentuadas ao nível da circulação ferroviária», diz a empresa.

António Pereira sublinha, no entanto, que a greve de 24 horas prevista para esta quinta-feira não foi completamente desconvocada. «O nosso sindicato não desconvocou a greve, porque não chegou a acordo com a REFER - Rede Ferroviária Nacional», garantiu.

Em causa está, diz o sindicalista, a alteração à proposta inicial da REFER para aumentos dos trabalhadores. O SNFBA era favorável a um aumento que beneficiasse os trabalhadores com salários mais baixos e não concordou com a uniformização do aumento aceite pelos restantes sindicatos.

«Havia uma proposta da REFER que previa um aumento de 5 por cento para o índice salarial mais baixo, o que correspondia a um aumento de 25 euros, enquanto que, para o índice mais alto, o aumento era de 1,9 por cento», recorda António Pereira.

A proposta que acabou por ser aprovada «pela maioria dos sindicatos» fixa todos os aumentos em 2,9 por cento, nota o sindicalista. António Pereira diz que a proposta aprovada «esquece os trabalhadores que ganham menos e que andam no terreno à chuva e ao frio, muitas vezes sem condições nenhumas».

Sem conseguir adiantar, para já, números da adesão à greve, António Pereira frisou que o SNFBA é «o segundo maior, em termos de associado». O sindicalista admite que, durante a tarde, a linha do Douro possa ser a mais afectada pela greve.