O comandante da Zona Marítima do Norte, Vítor Martins dos Santos, afirmou hoje que a Marinha está preparada para fazer face a «qualquer ocorrência» em águas nacionais, apesar de não dispor de navios de combate à poluição (NCP).

«Estamos preparados, e fazemos por nos preparamos, para fazer face a qualquer ocorrência, seja de combate à poluição, seja de salvamento marítimo. Estamos cá para acorrer a qualquer tipo de incidente», disse Martins dos Santos.

Reconhecendo que Portugal ainda não dispõe de qualquer NCP, aquele responsável lembrou que, «em caso de necessidade, quando há um episódio grave», Portugal pode requisitar aqueles navios a outros países, ao abrigo dos acordos internacionais que firmou.

Os dois NCP encomendados aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) em 2004, continuam por construir, apesar de a Marinha os classificar como um «importante reforço da capacidade» de intervenção.

A sua construção foi decidida face à falta de meios em Portugal para intervir num desastre idêntico ao do petroleiro «Prestige», ocorrido em novembro de 2002 na Galiza, tendo sido apontada, pelo Governo de então, como «prioritária para salvaguardar a costa» nacional.

Martins dos Santos, que falava em Esposende, durante um simulacro de derrame de hidrocarboneto na foz do rio Cávado, não quis pronunciar-se sobre o impasse na construção dos NCP, mas sublinhou que «tudo o que são meios significa que as organizações ficam mais fortalecidas para fazer face a determinados fenómenos».

Lembrou que a costa portuguesa é um canal de navegação «bastante concorrido», com dezenas e dezenas de navios a atravessarem águas nacionais, o que «representa um risco constante».

«De um momento para o outro, pode acontecer um cenário mais grave e temos de estar preparados», acrescentou.

No simulacro de hoje, em Esposende, os «hidrocarbonetos» derramados foram representados por pipocas.

Em resposta à ocorrência, foi acionado o dispositivo do Plano Mar Limpo, uma operação de combate à poluição no mar e na costa, conforme definido na referida resolução do Conselho de Ministros.

Foram montadas barreiras para impedir a passagem dos «hidrocarbonetos», que acabaram por ser «sugados» da água por uma máquina.