Esta ano vai haver mais meios no terreno a combater os incêndios florestais que costumam assolar o território português durante o verão. O dispositivo de combate vai ser reforçado com mais 17 equipas, anunciou esta segunda-feira o comandante operacional nacional José Manuel Moura. Outra novidade é que esse reforço custará mais de 80 milhões de euros.

«Esta foi a disponibilidade demonstrada no território nacional para podermos aumentar o dispositivo e só foi possível em 17 corpos de bombeiros»


O comandante especificou que o distrito de Viana do Castelo vai ser reforçado com mais três equipas de intervenção permanente, dada a dificuldade em recrutar bombeiros nesta região, que tem necessidade de exportar ajuda de outros distritos.

José Manuel Moura referiu que, tal como aconteceu em 2014, o dispositivo de combate a incêndios vai contar também com as 104 máquinas de rasto, «instrumentos fundamentais em determinados tipos de incêndios», e os bombeiros vão ter ao dispor autocarros para rendição de grupo.

«A ideia força» e «o objetivo operacional» é a segurança dos elementos envolvidos no combate aos incêndios florestais, relembrando que no ano passado não se registaram vítimas.

«Podemos ter mais área ardida, podemos ter mais ocorrências, mas não podemos ter mais vítimas porque não faz sentido nenhum em detrimento de qualquer hectare ou de qualquer área».


Também presente na conferência de imprensa, o secretário de Estado da Administração Interna, João Almeida, disse que o DECIF está orçado em mais de 80 milhões de euros, valor que «está em linha do que tem sido o investimento dos últimos anos», apesar de ser «uma previsão».

João Almeida afirmou ainda que antes da época crítica de incêndios florestais vai entrar em vigor a lei do financiamento das corporações de bombeiros.

Por sua vez, a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, disse que o dispositivo para este ano «não é em nada inferior ao de 2014», tendo existido «mais investimento em equipamentos, formação, preparação e experiência».

Bombeiros pedem mais dinheiro para pagamento aos voluntários

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) lamentou na mesma ocasião que não tenham sido aumentados os bombeiros voluntários que fazem parte do dispositivo de combate a incêndios florestais, durante o verão. Vão continuar a receber, este ano, 45 euros por dia.

«Gostaríamos que tivesse sido contemplado um aumento do abono», disse aos jornalistas Jaime Marta Soares, considerando o valor atual «algo muito irrisório».

O secretário de Estado da Administração Interna afirmou, por sua vez, que antes da época crítica de incêndios florestais vai entrar em vigor a lei do financiamento das corporações de bombeiros.

Porém, Jaime Marta Soares disse que a lei de financiamento tem como objetivo criar condições de sustentabilidade financeiras às corporações de bombeiros, sendo diferente das comparticipações Equipas de Combate a Incêndios.

Os bombeiros gostavam de ter, também, novas viaturas, tendo em conta que o parque atual está «desatualizado e precisa de reforços».

A época mais crítica de incêndios florestais, que decorre entre 01 de julho e 30 de setembro, vai este ano contar com um total de 2.234 equipas, 2.050 veículos, 9.721 operacionais e 49 meios aéreos, um dispositivo idêntico ao de 2014.

Estas informações foram avançadas em conferência de imprensa de apresentação do «Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECI)», que decorreu na Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).